“Volta para o Ceará” vira caso de xenofobia e contra-ataque na Câmara de Curitiba

A fala de Tathiana Guzella (PL) contra Vanda de Assis (PT) abriu uma crise na Câmara de Curitiba. A petista promete medidas legais; a liberal diz que criticava governos de esquerda no Ceará, não nordestinos.
“Volta para o Ceará” vira caso de xenofobia e contra-ataque na Câmara de Curitiba

“Volta para o Ceará” vira caso de xenofobia e contra-ataque na Câmara de Curitiba
Uma discussão sobre políticas para pessoas em situação de rua escapou do mérito do projeto e se transformou em uma disputa sobre preconceito, origem e os limites do embate político na Câmara de Curitiba.

O estopim veio quando Vanda de Assis (PT), nascida em Campos Sales, no Ceará, criticava o projeto de cadastro municipal para a população em situação de rua. A proposta, defendida por parlamentares do PL, foi aprovada em primeiro turno por 22 votos a 8 — mas a votação acabou ofuscada pelo confronto no plenário.

Tathiana Guzella (PL) questionou a origem da colega e disparou: “Por que a senhora não volta para o Ceará? […] A senhora nasceu lá e vem encher o saco aqui”. Para Vanda, não se tratou de uma provocação política comum, mas de xenofobia. “Eu não aceitarei nenhuma prática xenofóbica nem comigo nem com nenhuma pessoa que escolheu morar em Curitiba”, respondeu, ao anunciar representação e medidas judiciais.

A leitura de Guzella é oposta. Em nota, a vereadora afirma que foi interrompida antes de concluir o argumento e sustenta que sua referência ao Ceará buscava criticar os resultados de administrações alinhadas à esquerda, sobretudo diante do crescimento da população em situação de rua. Ela rejeita que tenha feito qualquer ataque ao povo cearense ou nordestino e diz ter registrado boletim de ocorrência contra Vanda por suposto crime contra a honra.

O contraste central está aí: Vanda vê a origem regional mobilizada para desqualificá-la; Guzella diz que discutia o desempenho político do PT. A petista, porém, insiste que a frase ultrapassou a disputa partidária: “Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação”.

A repercussão interna elevou a pressão por apuração. Camilla Gonda (PSB) pediu preservação do áudio, do vídeo e das notas taquigráficas, enquanto Giorgia Prates (PT) defendeu análise pelo Código de Ética. Guzella, também migrante — natural de Santa Catarina —, declarou que já defendeu nordestinos e que não aceitará ser calada.

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