Greve acaba na CPTM, mas a trégua ainda corre sobre trilhos instáveis
Greve acaba na CPTM, mas a trégua ainda corre sobre trilhos instáveis
A greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade terminou, mas não produziu paz plena. Os trens voltaram a circular e o governo obteve uma trégua, enquanto os ferroviários mantêm a mobilização para cobrar que a promessa de emprego vire garantia formal.
A assembleia aprovou a volta ao trabalho por 131 votos a 26, depois de uma proposta discutida no TRT-2. O acordo prevê que o governo paulista encaminhe à Alesp um projeto para absorver empregados da CPTM, incluindo os trabalhadores da Linha 10-Turquesa — inicialmente fora do alcance da medida. Para o sindicato, houve avanço, não rendição: “A deliberação ocorre após o Governo do Estado apresentar uma proposta que contempla avanços nas reivindicações da categoria.”
O campo pró-governo enfatiza a retomada gradual do serviço e o cancelamento dos ônibus emergenciais do Paese. Ainda assim, a normalidade foi incompleta no primeiro fim de tarde: intervalos seguiam maiores e os vagões, lotados. A CPTM reconheceu que “a normalização imediata para o atendimento do horário de pico sofreu impactos” pelo horário em que a categoria encerrou a reunião.
Já a narrativa de oposição joga luz no custo da crise para quem depende do trem: o próprio enquadramento do episódio fala em “tumulto e corrida por trens em São Paulo”. É o contraste central: para o Estado, a greve cessou; para passageiros e trabalhadores, os efeitos da concessão e das falhas operacionais continuam em aberto.
A categoria preservou o estado de greve e marcou nova etapa de negociação para o dia 19. Um maquinista que votou contra o fim da paralisação resumiu a desconfiança interna: “Nenhuma confiança em quem ontem tava me chamando de vagabundo.” A circulação foi retomada, mas a disputa por empregos, operação e responsabilidade nas linhas ainda não chegou à última estação.
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