Flávio troca vice mulher por Gaspar e abre nova frente de desgaste
Flávio troca vice mulher por Gaspar e abre nova frente de desgaste
Flávio Bolsonaro apostou num vice para transformar o escândalo do INSS em munição eleitoral. Mas a escolha de Alfredo Gaspar também escancarou o preço político de uma chapa sem aliados, sem mulher e com novas vulnerabilidades.
Nos bastidores, a decisão foi muito mais apertada do que a campanha tenta vender. Gaspar foi definido menos de 24 horas antes do anúncio, após sondagens a nomes como Priscila Costa, Michelle Bolsonaro e Rogério Marinho; a dificuldade de atrair PP e Republicanos reduziu as opções a quadros do próprio PL. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, celebrou uma escolha conduzida com “estratégia que merece aplausos”, dizendo que a multiplicidade de nomes permitiu decidir sem pressão.
A leitura favorável ao deputado alagoano é clara: ex-promotor, ex-secretário de Segurança e relator da CPMI do INSS, ele oferece à chapa uma voz para atacar o governo e associar o caso a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Flávio resumiu o cálculo ao chamá-lo de “o terror do Lulinha”. Para Rodrigo Constantino, foi “golaço do Flavio”, por sua atuação na comissão e na segurança pública.
A outra face da aposta é a ruptura com a estratégia anunciada pelo próprio candidato. Depois de defender uma mulher na vice para reduzir resistências entre eleitoras, Flávio formou uma chapa inteiramente masculina. Michelle Bolsonaro apoiou formalmente a composição, mas agradeceu às “Mulheres de Bem” que se colocaram à disposição — recado lido como alfinetada às descartadas. No anúncio, o senador agravou o incômodo ao dizer: “Eu fiz duas filhas exatamente para isso”, referindo-se ao cuidado que espera receber na velhice.
Há ainda o risco jurídico. No dia do anúncio, a PF recebeu da PGR um pedido de diligências sobre denúncia de suposto estupro de vulnerável contra Gaspar; ele nega a acusação, e não foram divulgadas provas. A apuração não equivale a culpa, mas entrega à oposição um flanco imediato. E a reviravolta é especialmente visível porque, em maio, Gaspar havia dito que só abandonaria a pré-candidatura ao Senado “se Deus me levar”.
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