Selic cai a 14%, mas o Copom freia a euforia sobre novos cortes

O quarto corte consecutivo da Selic reduz o custo do dinheiro, mas não resolve o impasse: governo e mercado veem espaço para continuar; críticos ressaltam inflação, petróleo e risco fiscal como limites claros.
Selic cai a 14%, mas o Copom freia a euforia sobre novos cortes

Selic cai a 14%, mas o Copom freia a euforia sobre novos cortes
A Selic caiu pela quarta vez seguida, para 14% ao ano, mas o corte de 0,25 ponto não virou sinal verde para uma sequência automática de reduções. O Copom aliviou a dose — e, ao mesmo tempo, deixou claro que ainda segura o volante.

Na leitura pró-governo, a decisão unânime abre espaço para a continuidade da calibragem monetária. O Banco Central afirma que o corte é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”, preservando também a atividade e o emprego. A aposta é que a desaceleração recente dos preços, somada à projeção de inflação de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, permita reduzir gradualmente uma taxa real ainda entre as mais altas do mundo.

Mas o BC se recusou a prometer o próximo passo. Sua mensagem é condicional: “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações”. Em outras palavras, há espaço para mais corte — não um compromisso.

A oposição enfatiza justamente o freio. Embora reconheça a perda de força da inflação, destaca que as expectativas para 2026 e 2027 continuam acima da meta e que o balanço de riscos segue inclinado para alta. Petróleo e guerra no Oriente Médio, dólar persistente, serviços resistentes e os efeitos da política fiscal aparecem como ameaças capazes de chegar ao consumidor via combustíveis, energia e alimentos.

As duas leituras concordam no diagnóstico imediato: a economia modera, mas continua resiliente, com mercado de trabalho aquecido. Divergem no peso do sinal. Para os defensores do governo, o corte confirma uma trilha de alívio; para os críticos, prova que o Banco Central só pode avançar em passos curtos, sob risco de perder a batalha contra a inflação.

No debate público, a interpretação também foi de comunicação deliberadamente aberta: o corte era esperado e o Copom deixou “os próximos passos em aberto”, com projeção de 3,2% no horizonte relevante.

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