PF cerca Mauro Mendes, mas defesas insistem que acordo milionário foi legal
PF cerca Mauro Mendes, mas defesas insistem que acordo milionário foi legal
A mesma transação que aliados apresentam como uma economia milionária para Mato Grosso agora está no centro de uma investigação sobre possível desvio de dinheiro público. De um lado, a Polícia Federal rastreia fundos e empresas; do outro, os investigados sustentam que o acordo foi legal e vantajoso.
A Operação Heritage apura o destino de R$ 308 milhões pagos após um acordo entre o governo estadual e a Oi, encerrando uma disputa sobre cobranças indevidas de ICMS. A PF cumpriu 25 mandados em quatro estados e obteve autorização para bloquear até R$ 316 milhões, quebrar sigilos e recolher passaportes. Segundo os investigadores, fundos em cascata e empresas interpostas podem ter ocultado a origem, a movimentação e o destino dos recursos.
Reportagens de veículos identificados com a oposição enfatizam o alcance político da operação: Mauro Mendes, pré-candidato ao Senado, o deputado Fábio Garcia e o desembargador Ricardo Almeida aparecem entre os investigados. Uma delas destaca que a renegociação reduziu de R$ 690 milhões para R$ 308 milhões a dívida estadual, mas teria sido seguida por repasses capazes de beneficiar pessoas ligadas ao ex-governador.
A leitura defensiva é oposta. Mendes afirma que o acordo foi homologado pela Justiça, produziu economia de R$ 390 milhões e não apresentou irregularidades aos órgãos de controle. Também argumenta que “eventuais fatos ocorridos após o pagamento estão exclusivamente na área privada e não têm qualquer vínculo com o estado”. Fábio Garcia, por sua vez, diz que não participou de nenhuma fase do processo.
O ponto de choque está no caminho percorrido pelo dinheiro. A investigação descreve uma “engenharia financeira” envolvendo fundos administrados pelo Banco Master e empresas associadas a parentes e aliados de Mendes e Garcia. Ricardo Almeida rebateu a suspeita sobre sua atuação: “Atuei de forma técnica, regular e dentro das prerrogativas asseguradas à advocacia”.
Enquanto a PF tenta provar que a estrutura serviu para desviar e lavar recursos, os citados apostam na validade judicial do acordo. A Procuradoria-Geral do Estado adotou tom cauteloso: disse confiar na investigação, prometeu colaborar e afirmou esperar que o caso seja totalmente esclarecido.
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