Uefa ignora recuo da Fifa e aperta o cerco a Infantino

A Europa mantém o boicote e exige garantias contra a entrada de investidores privados, enquanto Fifa e Conmebol tentam conter a crise em torno de Gianni Infantino.
Uefa ignora recuo da Fifa e aperta o cerco a Infantino

Uefa ignora recuo da Fifa e aperta o cerco a Infantino
A Fifa retirou o plano que abriu a maior crise de sua atual gestão, mas o recuo não trouxe paz. De um lado, a Uefa mantém o boicote e diz não confiar mais em Gianni Infantino; do outro, aliados do dirigente apelam às regras institucionais para barrar uma troca de comando pela pressão política.

Para os europeus, abandonar a proposta de entregar parte das principais competições a uma estrutura com investidores privados foi apenas o primeiro passo. A Uefa exige garantias formais de que a ideia não voltará e afirma que essas condições “não foram cumpridas”, reiterando ter “perdido a confiança na presidência de Gianni Infantino”.

A Fifa oferece uma leitura oposta. Após reunião emergencial em Rabat, sua cúpula reconheceu “erros” e pediu “desculpas”, mas declarou “apoio total” a Infantino, apresentado como o único líder eleito pelas 211 federações. A Uefa rebateu com dureza, questionando a independência de dirigentes cujas carreiras, segundo ela, dependem dos favores do presidente.

A Conmebol não endossou o confronto europeu. Embora não defenda diretamente o projeto abandonado, a entidade sul-americana condenou ações fora dos canais formais e avisou que “não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais”. Na prática, sua posição fortalece Infantino, candidato à reeleição em 2027 e aliado estratégico dos planos sul-americanos para ampliar a Copa do Mundo de 2030.

A diferença central está no remédio para a crise. A Uefa considera o pedido de desculpas insuficiente e usa o boicote para exigir mudanças e garantias; a Conmebol insiste em diálogo, normas internas e eleição. Já a Fifa tenta preservar Infantino sem oferecer, até agora, a salvaguarda cobrada pelos europeus.

O impasse pode deixar de ser apenas político em setembro, quando a Polônia receberá o Mundial Feminino Sub-20. Com Inglaterra e outras seleções europeias previstas, a manutenção do protesto já lança incerteza sobre o primeiro torneio potencialmente atingido.

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