Gaspar vira trunfo de Flávio — e abre guerra pela direita em 2026
Gaspar vira trunfo de Flávio — e abre guerra pela direita em 2026
Flávio Bolsonaro escolheu Alfredo Gaspar para transformar segurança e combate à corrupção em vitrines de sua campanha presidencial. O movimento, porém, também expõe contradições apontadas por adversários e produz um efeito colateral decisivo na política de Alagoas.
Para a chapa do PL, Gaspar combina três ativos: origem nordestina, experiência como promotor e secretário de Segurança Pública e protagonismo como relator da CPMI do INSS. A aposta é ampliar a presença eleitoral no Nordeste sem abandonar as bandeiras mais caras ao bolsonarismo.
Gaspar abraçou esse roteiro. “Dediquei minha vida ao combate ao crime organizado e à corrupção, dentro e fora do Congresso”, afirmou. Ao recordar a CPMI, acrescentou que “não baixei a cabeça, não negociei e não aceitei a blindagem de ninguém”. Entre aliados, a recepção foi entusiasmada: Rodrigo Constantino chamou a indicação de “grata surpresa” e de “golaço do Flavio”, elogiando a “competência e independência” do deputado.
Ronaldo Caiado, concorrente de Flávio pelo eleitorado conservador, oferece a leitura oposta. Para ele, a composição não fortalece o discurso moralizador — enfraquece-o. “É impossível vender o discurso de ‘moralidade e segurança’ tendo uma chapa montada no puro pragmatismo e desgaste na Justiça”, declarou. Caiado ainda acusou o grupo de reunir “contradição, denúncias e embates jurídicos”.
A família Bolsonaro rebate com a ideia de planejamento. Eduardo Bolsonaro afirmou que a definição foi conduzida com uma estratégia que “merece aplausos”, sem pressão do calendário e com espaço para avaliar diferentes nomes. Assim, os dois campos disputam as mesmas bandeiras — segurança, integridade e eficiência — mas chegam a conclusões inversas sobre Gaspar.
Fora da corrida presidencial, há um vencedor imediato: Arthur Lira. Gaspar liderava levantamento para o Senado em Alagoas, com 40,4%, contra 39,8% de Lira e 36,4% de Renan Calheiros. Sua saída reduz a concorrência, favorece o ex-presidente da Câmara e pode reorganizar alianças estaduais. Flávio ganha um vice; Lira, um caminho mais livre.
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