PF põe acordo de R$ 308 milhões na mira e rastreia dinheiro até filhos de Mauro Mendes
PF põe acordo de R$ 308 milhões na mira e rastreia dinheiro até filhos de Mauro Mendes
Um acordo tributário de R$ 308,1 milhões, apresentado como restituição à Oi, virou o centro de uma investigação que contrapõe a versão de uma operação administrativa legítima à suspeita de uma engrenagem financeira montada para desviar dinheiro público.
De um lado, a Polícia Federal sustenta que Mauro Mendes, o deputado Fábio Garcia e outros envolvidos teriam preparado a estrutura antes mesmo da conclusão do acordo. Dois fundos foram criados 48 dias antes da assinatura e, após o pagamento, os recursos percorreram uma cadeia com mais de 15 veículos de investimento. Segundo a representação policial, essa camada teria sido organizada para distribuir os valores “sob múltiplos véus de opacidade”.
A investigação também questiona as condições do acerto: cálculo supostamente inflado, ausência de previsão orçamentária, rapidez incomum e pagamento fora do regime de precatórios. Na decisão que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino afirmou que esses elementos, em conjunto, reforçam “a plausibilidade da hipótese investigativa”.
De outro lado, o rastreamento do dinheiro acrescenta um elo familiar à suspeita. Dos R$ 308,1 milhões pagos pelo estado, R$ 27 milhões teriam passado por fundos usados na compra de participações da Parecis Bioenergia. O vendedor foi o 5M Capital, controlado pelo GS Heritage, fundo que tem como cotistas três filhos de Mauro Mendes. Para Dino, a transação “teria viabilizado a transferência do dinheiro público para o patrimônio privado da família do ex-governador, sob a aparência de uma transação societária lícita”.
As duas frentes convergem no ponto central — a circulação antecipadamente estruturada dos recursos —, mas enfatizam ângulos distintos: uma descreve a possível montagem política e financeira; a outra segue o dinheiro até seus beneficiários aparentes. Mauro Mendes não respondeu aos pedidos de manifestação. Já a Procuradoria-Geral do Estado disse confiar na investigação, prometeu colaborar e afirmou acreditar que o caso será esclarecido.
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