Governo corre para apagar incêndio entre Mendonça e PF

Ordens do ministro sobre inquéritos do INSS, Banco Master e Lulinha abriram uma disputa sobre os limites da supervisão judicial. O governo aposta no diálogo, enquanto a PF fecha fileiras em defesa de sua autonomia.
Governo corre para apagar incêndio entre Mendonça e PF

Governo corre para apagar incêndio entre Mendonça e PF
O governo entrou em campo para impedir que uma disputa sobre autonomia investigativa vire confronto aberto entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. No centro do choque estão André Mendonça, o diretor-geral Andrei Rodrigues e inquéritos politicamente explosivos.

De um lado, Mendonça cobra rapidez, acesso a materiais produzidos nas apurações e comunicação prévia sobre mudanças nas equipes. Seus interlocutores apontam preocupação com demora e possíveis vazamentos nos casos do INSS, do Banco Master e nas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em fevereiro, o ministro determinou que dados do caso Master fossem restritos aos policiais diretamente envolvidos, inclusive em relação a superiores hierárquicos.

Do outro, a PF vê risco de interferência judicial no cotidiano dos inquéritos. Os 27 superintendentes regionais reagiram em bloco, declarando que a atividade investigativa “não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais” e defendendo uma corporação “forte, técnica, independente”. A nota não cita Mendonça, mas funciona como inequívoco respaldo a Andrei.

A mediação coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que articulou uma conversa entre Mendonça e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O encontro buscou desarmar um potencial conflito jurídico; a tendência no governo é evitar uma ofensiva da AGU e resolver as divergências pelo diálogo.

A oposição interpreta o episódio como parte de uma batalha pelo controle de investigações sensíveis, destacando que a crise cresceu quando a PF apresentou novos pedidos contra Lulinha como “fatos novos”. Dois inquéritos permaneceram com Mendonça e um foi sorteado para Flávio Dino. A defesa de Lulinha nega crimes e sustenta haver tentativa de interferência eleitoral.

Fora das instituições, apoiadores de Mendonça tratam a conciliação com desconfiança. Enio Viterbo elogiou a “paciência com a cúpula da Polícia Federal”, mas sugeriu que o ministro não deveria confiar na direção da corporação.

A trégua, portanto, é apenas operacional. Mendonça diz proteger a investigação; a PF afirma proteger sua independência. O governo tenta convencer ambos de que essas duas missões ainda podem coexistir.

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