Caixa-preta expõe alertas ignorados, mas Voepass nega ter colocado segurança em segundo plano
Caixa-preta expõe alertas ignorados, mas Voepass nega ter colocado segurança em segundo plano
A investigação sobre a queda do voo 2283 deixou de procurar uma falha isolada e passou a descrever uma engrenagem de riscos conhecidos, alertas ignorados e controles que não funcionaram. De um lado, famílias veem o indiciamento como o começo da responsabilização; do outro, a Voepass sustenta que sempre priorizou a segurança.
A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia pelo acidente de 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, que matou as 62 pessoas a bordo. Entre os investigados estão o presidente da empresa, diretores, pilotos, despachantes e profissionais ligados ao controle operacional.
Os registros da caixa-preta dão peso à tese de que o desastre foi precedido por sinais claros. A mensagem “AIRFRAME FAULT”, associada ao sistema pneumático de degelo, apareceu no voo fatal e em três viagens anteriores. Na operação imediatamente precedente, após repetidas tentativas de reiniciar o sistema, um piloto afirmou: “Chegamos vivos.” Já no voo 2283, diante do gelo e da aparente ineficácia do equipamento, o comandante disse: “Essa b***** não tá funcionando, né?” Menos de um minuto depois, o avião perdeu sustentação.
A PF contrapõe esse histórico à ideia de fatalidade: aponta falhas operacionais e de manutenção, omissão recorrente de panes e prioridade à disponibilidade da frota. Para Fátima, mãe da médica Arianne Risso, havia profissionais qualificados “fazendo gambiarra em uma aeronave que iria matar”. As famílias agora esperam uma denúncia do Ministério Público Federal e prometem também buscar reparação coletiva.
A Voepass rejeita a imagem de negligência. Afirma que “a segurança operacional sempre foi sua prioridade”, diz ter seguido protocolos de manutenção e treinamento e ressalta que a tripulação somava mais de 5 mil horas de voo. O contraste definirá a próxima etapa: para os parentes, o inquérito revela um método; para a companhia, ainda se trata de uma conclusão policial sujeita ao contraditório e à defesa.
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