Espriella assume uma Colômbia blindada e promete enterrar a era Petro
Espriella assume uma Colômbia blindada e promete enterrar a era Petro
Abelardo de la Espriella chegou à Presidência prometendo recuperar territórios e contas públicas, mas encontrou uma Colômbia rachada ao meio. Sua posse fora de Bogotá simbolizou tanto a ruptura com Gustavo Petro quanto o tamanho da resistência que enfrentará.
Cali, palco dos protestos que impulsionaram a esquerda em 2021, recebeu a cerimônia sob proteção de mais de 11 mil policiais e militares. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, alertou que grupos criminosos poderiam tentar interromper o evento com “atos terroristas”. Para Espriella, porém, a escolha da cidade foi uma demonstração de autoridade: o Estado voltaria a áreas que, segundo ele, foram cedidas ao narcotráfico.
A diferença em relação a Petro é frontal. Se o antecessor apostou na política de “paz total”, o novo presidente deu um mês para que grupos armados iniciem sua submissão. “Em meu governo não haverá ofertas generosas nem concessões inaceitáveis”, afirmou ao apresentar uma estratégia que prevê ofensivas militares e Blocos de Segurança Urbana. Também prometeu intensificar bombardeios, construir megapresídios e “recuperar a soberania” diante do narcoterrorismo.
Na economia, Espriella oferece uma receita igualmente oposta: reduzir o Estado, cortar gastos administrativos e ampliar a exploração de petróleo. Seus apoiadores veem disciplina fiscal; movimentos populares temem perdas sociais e violações de direitos humanos.
A legitimidade será seu primeiro teste. Espriella venceu Iván Cepeda por cerca de 252 mil votos, segundo o resultado oficial, mas Petro denunciou fraude sem apresentar provas e seus aliados convocaram manifestações. Brasília adotou distância cautelosa: Lula não compareceu, embora o chanceler Mauro Vieira tenha desejado ao “povo irmão do Brasil tudo de melhor nos próximos anos”.
À direita, o clima é de revanche. Eduardo Bolsonaro resumiu a celebração de apoiadores colombianos com a frase: “Medellín festeja o fim do desgoverno Petro”. Nas ruas e no Congresso, contudo, Espriella descobrirá que vencer por margem estreita é muito diferente de governar um país profundamente dividido.
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