Votação atrasa nos EUA, mas verdadeiro impasse sobre embaixador está em Brasília
Votação atrasa nos EUA, mas verdadeiro impasse sobre embaixador está em Brasília
A indicação de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil ficou presa entre dois impasses: uma disputa de prioridades no Senado americano e a resistência de Brasília em autorizar sua chegada. Mesmo que Washington destrave a votação, a palavra final ainda passa pelo governo Lula.
Do lado republicano, o atraso é apresentado como um contratempo legislativo, não como uma rejeição ao indicado de Donald Trump. A confirmação de Perez entrou em um pacote com outras 73 nomeações diplomáticas, mas acabou adiada enquanto senadores negociavam quais matérias votariam antes do recesso de cinco semanas.
Rick Scott, senador republicano pela Flórida e amigo pessoal de Perez, também procurou afastar suspeitas de interferência política. Segundo ele, o indicado “ama o país” e não pretende se envolver nas eleições presidenciais brasileiras. Scott descreveu Perez como alguém “muito focado em resultados” e interessado em ampliar o comércio bilateral: “Será uma situação de ganha-ganha.”
Brasília, porém, enxerga uma questão diplomática mais sensível. Ainda que seja aprovado pelo Senado, Perez não poderá assumir sem o agrément, consentimento formal concedido pelo país que recebe o embaixador. O governo brasileiro afirma que o pedido continua em análise e lembra que a Convenção de Viena não estabelece prazo para uma resposta.
A divergência já transbordou para uma troca de retaliações. O governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, classificando a medida como recíproca à demora brasileira. O Planalto respondeu que os Estados Unidos romperam o protocolo ao divulgar publicamente o nome de Perez antes da anuência de Brasília: “O Brasil segue estritamente o direito internacional.”
Assim, os dois lados concordam que o rito ainda está incompleto, mas divergem sobre a causa. Para aliados de Perez, falta apenas superar a engrenagem do Congresso; para o governo Lula, Washington transformou um procedimento confidencial em instrumento de pressão política.
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