PF aponta fraude bilionária no INSS, mas defesa diz que indiciamento não é condenação

Seis ex-integrantes da cúpula do INSS foram indiciados por um esquema que teria atingido 4,8 milhões de beneficiários. Enquanto a investigação aponta propinas e sistemas manipulados, a defesa contesta as acusações.
PF aponta fraude bilionária no INSS, mas defesa diz que indiciamento não é condenação

PF aponta fraude bilionária no INSS, mas defesa diz que indiciamento não é condenação
A Polícia Federal descreve uma engrenagem montada para retirar dinheiro de aposentados; a defesa do principal indiciado responde que suspeita não equivale a culpa. No centro do embate estão R$ 6,3 bilhões em descontos associativos considerados irregulares.

Na leitura da oposição, o caso é um “roubo a aposentados” sustentado por filiações em massa, assinaturas falsificadas e manipulação dos sistemas do INSS. Seis pessoas foram indiciadas nesta nova etapa, entre elas o ex-presidente Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Paulo Félix Fidelis. Segundo o relatório, Stefanutto teria recebido propinas recorrentes de até R$ 250 mil mensais em troca de “omissão fiscalizatória deliberada”.

A apuração atribui ao grupo uma operação mais ampla: servidores teriam facilitado descontos não autorizados, enquanto parlamentares receberiam “mesadas” de até R$ 100 mil para indicar aliados a cargos estratégicos. A Contag também aparece sob suspeita de ter transferido R$ 26,4 milhões, de forma fracionada, a pessoas e empresas de diferentes setores.

A defesa oferece o contraponto. Diz que ainda não teve acesso integral ao inquérito, nega qualquer ato ilícito e sustenta que o indiciamento “não representa condenação”. Seus advogados afirmam manter “plena convicção” de que os autos demonstrarão a inexistência de conduta criminosa atribuível ao ex-presidente.

Enquanto a disputa jurídica avança, o impacto já chegou ao caixa público. O governo suspendeu as cobranças e devolveu cerca de R$ 4,5 bilhões a aproximadamente 4,8 milhões de beneficiários; paralelamente, a AGU obteve o bloqueio de mais de R$ 6 bilhões em bens e ativos. O processo está com o ministro André Mendonça, do STF, e deverá seguir para a PGR decidir se apresenta denúncia.

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