Emendas Pix colocam petistas e bolsonaristas na mesma mira de Dino

Auditoria encontrou falhas em 82% das transferências examinadas e apontou danos de até R$ 55,4 milhões. Enquanto governistas destacam o cerco à falta de transparência, oposicionistas cobram explicações de Lindbergh Farias.
Emendas Pix colocam petistas e bolsonaristas na mesma mira de Dino

Emendas Pix colocam petistas e bolsonaristas na mesma mira de Dino
A investigação das emendas Pix abriu um flanco desconfortável para todo o espectro político: o mecanismo criado para acelerar repasses agora expõe suspeitas que alcançam aliados do governo e nomes ligados à oposição.

Flávio Dino determinou que a Polícia Federal apure possíveis crimes após o Tribunal de Contas da União examinar 100 transferências, destinadas a 74 entes federativos entre 2020 e 2024. Dos R$ 198,1 milhões fiscalizados, até R$ 55,4 milhões estariam associados a falta de rastreabilidade, pagamentos sem comprovação, superfaturamento, serviços não executados e possíveis fraudes em licitações.

Na leitura pró-governo, a decisão representa um novo passo no cerco institucional a um modelo marcado por controles frágeis. Dino afirmou que os dados demonstram a “persistência de um estado de inconstitucionalidade” e mandou a PF priorizar os casos em que o TCU já identificou dano direto aos cofres públicos. O ministro também cobrou soluções para as falhas do Transferegov e determinou que estados e municípios adotem uma codificação contábil padronizada a partir de 2027.

A oposição enfatiza outro ponto: a cobrança sobre Lindbergh Farias (PT-RJ). O deputado e a Câmara terão dez dias para explicar emendas destinadas à Companhia Nacional de Abastecimento, após questionamentos sobre a compra de alimentos de cooperativas localizadas fora do Rio de Janeiro. A representação foi apresentada pelo oposicionista Gustavo Gayer (PL-GO).

Mas o alcance político não para no PT. Entre os repasses citados pelo TCU está uma emenda de R$ 6,2 milhões de Alfredo Gaspar (PL-AL), vice de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, cujo dinheiro não teria sido rastreado depois de transferências entre contas municipais. Gaspar diz não ser investigado e sustenta que os recursos foram destinados “de forma regular ao município”, cabendo à prefeitura executá-los e prestar contas.

As narrativas divergem sobre quem deve pagar o preço político. O diagnóstico, porém, é comum: sem rastreabilidade, as emendas Pix permanecem terreno fértil para desperdício, suspeitas e disputa partidária.

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