Vice de Flávio nasce como “gol de placa”, mas PL já prepara saída para Gaspar
Vice de Flávio nasce como “gol de placa”, mas PL já prepara saída para Gaspar
A escolha de Alfredo Gaspar para vice de Flávio Bolsonaro tenta projetar força, mas nasceu cercada por recusas, improviso e desconfiança dentro do próprio campo bolsonarista. Enquanto aliados celebram a chapa, o PL de Alagoas já mantém uma rota de fuga para o deputado.
A primeira disputa é sobre como a decisão foi tomada. Valdemar Costa Neto afirmou que o nome estava guardado havia seis meses; Flávio o desmentiu e admitiu que tudo aconteceu “em cima da hora”, após uma ideia de Rogério Marinho que considerou “fantástica”. A chapa exclusivamente formada pelo PL veio depois de o Centrão evitar a aliança e de outras opções não prosperarem.
Eduardo Bolsonaro, porém, apresentou uma versão bem mais calculada: disse que a definição foi conduzida com “uma estratégia que merece aplausos”, com serenidade e sem pressão do calendário. O contraste é direto: para Flávio, uma solução tardia; para Eduardo, planejamento bem executado.
Antes de Gaspar, o partido ainda sondou Michelle Bolsonaro. Segundo um interlocutor, ela recusou porque teria dificuldades para percorrer o país enquanto Jair Bolsonaro necessita de cuidados: “Como ela iria fazer campanha? Impossível. Quem cuidaria do Jair?”. A tentativa também buscava reparar fissuras familiares e reduzir a rejeição de Flávio entre mulheres — objetivo que a escolha de Gaspar não atende da mesma forma.
A celebração tampouco eliminou o risco de troca. A direção alagoana decidiu que qualquer alteração na candidatura nacional de Gaspar restabelecerá automaticamente sua indicação ao Senado. É um seguro político que revela o tamanho da incerteza: o vice foi confirmado, mas ainda não parece blindado.
Nas ruas, a imagem é outra. Recebido por centenas de apoiadores em Maceió, Gaspar declarou que a missão “está apenas começando” e prometeu seguir com “coragem, trabalho e fé”. Eduardo reforçou o espetáculo digital, comparou a recepção às de Jair Bolsonaro e convocou a militância a fazer as imagens circularem para “botar petista para passar raiva”.
Assim, as duas narrativas convivem: uma candidatura embalada como demonstração de entusiasmo popular e, ao mesmo tempo, tratada internamente como peça substituível.
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