Protestos vencem Milei e barram venda ampliada de terras a estrangeiros
Protestos vencem Milei e barram venda ampliada de terras a estrangeiros
Javier Milei queria abrir mais espaço ao capital estrangeiro no mercado de terras argentino. A oposição respondeu com uma palavra de forte apelo político — soberania — e, empurrado por protestos de massa, o Senado acabou esvaziando a proposta.
O governo pretendia eliminar a regra que impede estrangeiros de controlar mais de 15% das terras de uma província. Diante da resistência, tentou elevar o teto para 25%, mas nem essa versão sobreviveu. O argumento oficial era econômico: questionado se investidores de fora poderiam comprar cidades e povoados inteiros, o chanceler Pablo Quirno respondeu: “Sim, mas isso gerará benefícios para a Argentina”.
Para os críticos, porém, a promessa de investimento escondia um risco maior: entregar território e recursos estratégicos ao capital internacional. O ex-ministro kirchnerista Wado de Pedro resumiu a reação: “O que está em jogo é a soberania nacional”, destacando a disputa global por água, minerais críticos, energia e alimentos.
As duas posições partem de diagnósticos opostos. Milei e seus aliados tratam a terra como ativo capaz de atrair dinheiro e gerar crescimento; movimentos sociais, sindicatos, acadêmicos e políticos da oposição a veem como patrimônio nacional que exige limites especiais. O confronto saiu dos gabinetes e tomou as ruas sob os gritos de “A pátria não se vende” e “Argentina não está à venda”.
Em Buenos Aires, o debate econômico terminou em repressão: tropas de choque lançaram gás lacrimogêneo, caminhões hidrantes bloquearam o acesso ao Congresso e 26 pessoas foram detidas. Uma fotógrafa sofreu traumatismo craniano, segundo relato citado pela imprensa. O recuo legislativo deu uma vitória imediata à oposição — e expôs o limite político da agenda ultraliberal de Milei quando propriedade privada e soberania territorial colidem.
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