Posse de Espriella sela guinada à direita e expõe uma Colômbia rachada
Posse de Espriella sela guinada à direita e expõe uma Colômbia rachada
Abelardo de la Espriella assumiu a Presidência prometendo reconstruir a Colômbia pela força; seus adversários enxergam justamente aí o risco de uma nova ruptura. A posse em Cali transformou a guinada à direita em demonstração de poder — e revelou um país ainda rachado.
Realizada fora de Bogotá pela primeira vez em mais de dois séculos, a cerimônia reuniu líderes da direita regional e ocorreu sob protestos e forte aparato de segurança. A oposição questiona o apertado resultado eleitoral e a cidadania norte-americana de Espriella, enquanto Gustavo Petro o chamou de “presidente ilegítimo”, embora tenha prometido uma transição pacífica.
Para os apoiadores, porém, a ruptura é o principal ativo do novo presidente. Advogado, empresário e estreante em cargos eletivos, “El Tigre” se apresenta como antissistema, inspirado por Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Sua receita combina redução de 40% do Estado, megapresídios e uma advertência direta: “Bandido que não se submeter à Justiça será abatido”.
Na política externa, Espriella promete romper com Cuba e Nicarágua — “não haverá laços de forma alguma com tiranias” —, reatar com Israel e ampliar a cooperação militar contra organizações ligadas ao narcotráfico. Ex-guerrilheiros e negociadores do governo anterior veem o caminho inverso: desmontar zonas protegidas e suspender acordos seria um “verdadeiro suicídio institucional”, capaz de empurrar ex-combatentes novamente para as armas.
O contraste também aparece no discurso civil. Às vésperas da posse, Espriella garantiu que protegerá a liberdade de imprensa, incentivará o empreendedorismo e apoiará mães solo, apresentando uma face mais conciliadora do que a retórica de “mão de ferro” usada na campanha.
Nas redes, aliados brasileiros reforçaram a imagem de força. Eduardo Bolsonaro destacou a mobilização de “11.000 agentes de segurança” em Cali, enquanto Allan dos Santos celebrou imagens de Medellín com um direto “Viva” ao novo presidente. Entre festa e contestação, Espriella começa o mandato com autoridade simbólica — mas sem consenso político.
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