A morte de Clodd Dias expõe o contraste entre reconhecimento e abandono

A atriz de “As Five” e “Manhãs de Setembro” morreu aos 49 anos, deixando uma carreira premiada e uma crítica contundente à forma como o Brasil trata seus artistas.
A morte de Clodd Dias expõe o contraste entre reconhecimento e abandono

A morte de Clodd Dias expõe o contraste entre reconhecimento e abandono
Clodd Dias conquistou espaço em produções celebradas pela representatividade, mas sua morte também abriu uma ferida: o contraste entre o reconhecimento de seu talento e o sentimento de abandono vivido por artistas trans e negros no Brasil.

A atriz paulista morreu na quinta-feira (6), aos 49 anos, em São Paulo. A causa não foi divulgada. Nascida em Itapetininga, ela começou a atuar aos 14 anos e formou-se pelo Centro de Artes Célia Helena em 2001. O velório e o sepultamento foram marcados para o Cemitério da Vila Formosa, na zona leste da capital.

De um lado, sua trajetória revela uma artista que avançou por diferentes palcos e telas. Clodd ganhou projeção como Roberta, melhor amiga de Cassandra — personagem de Liniker — em “Manhãs de Setembro”, produção descrita como um “marco da representatividade trans no audiovisual”. O papel lhe rendeu o Prêmio Arcanjo de Cultura em 2021.

Seu currículo também reuniu “As Five”, “Notícias Populares” e “Ayô”, além dos filmes “Dois Mais Dois”, “O Clube das Mulheres de Negócios” e “Rodeio Rock”. No teatro, passou por montagens como “Entrega para Jezebel”, “Mãe de Santo” e “Esperando Godot”. Ela ainda deixou gravada a série inédita “Tarã”, do Disney+, com Xuxa e Angélica.

De outro, o diretor artístico Ruy Cortez, amigo da atriz, transformou o luto em denúncia. “Tristeza absoluta com a perda de Clodd Dias, mais uma mulher trans preta que nos deixa, mais uma atriz, uma artista brasileira que foi sendo morta pela tristeza de um país, que não valoriza seus artistas, pior os maltrata com absoluto desinteresse”, escreveu. Para ele, Clodd era uma artista “visceral” e de “talento nato, absoluto”.

As duas leituras se encontram num mesmo ponto: Clodd construiu uma obra relevante. Mas, enquanto uma destaca os papéis, prêmios e produções deixados pela atriz, a outra pergunta por que esse reconhecimento tantas vezes chega cercado de precariedade e tarde demais.

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