De la Espriella promete unir a Colômbia com mão de ferro

O novo presidente anuncia guerra ao narcotráfico, austeridade e respeito às minorias. A guinada à direita, porém, expõe o choque entre a promessa de união e uma retórica política agressiva.
De la Espriella promete unir a Colômbia com mão de ferro

De la Espriella promete unir a Colômbia com mão de ferro
Abelardo de la Espriella assumiu a Presidência da Colômbia prometendo união nacional, mas empunhando uma agenda de confronto. A posse em Cali abre uma guinada à direita cujo teste será conciliar liberdades e legalidade com a anunciada mão de ferro.

Na leitura pró-governo, a vitória do advogado milionário encerra o ciclo da esquerda de Gustavo Petro e transforma um outsider antissistema em chefe de Estado. Admirador de Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, “El Tigre” chegou ao poder prometendo “reconstruir a República” e avisando: “No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido”. A mesma fonte, contudo, destaca as sombras de sua trajetória: a defesa de paramilitares e narcotraficantes, os questionamentos sobre sua fortuna e declarações machistas, homofóbicas e violentas.

O relato reunido no campo da oposição enfatiza uma face mais institucional. Em seu discurso de posse, De la Espriella afirmou que governará também para quem não votou nele e declarou que “não há espaço para a intransigência”. Ao mesmo tempo, ordenou às Forças Armadas que enfrentem organizações ligadas ao narcotráfico, oferecendo aos grupos armados duas saídas: “se submeter à lei ou enfrentar a força do Estado colombiano”.

As duas perspectivas convergem no diagnóstico — insegurança, narcotráfico e desgaste do Estado —, mas divergem sobre o remédio. Para seus apoiadores, autoridade, megapresídios, erradicação da coca e corte de gastos representam uma regeneração nacional. Para os críticos, o risco está em converter combate ao crime em concentração de poder, sobretudo diante da promessa de reduzir o Estado em 40% e rever instituições ligadas ao acordo de paz com as Farc.

Nas redes, a chegada do novo governo já ganhou tom de celebração. Allan dos Santos publicou imagens atribuídas a Medellín com a mensagem: “Viva @ABDELAESPRIELLA!”. O entusiasmo contrasta com a cautela exigida fora da arena digital: De la Espriella promete que a lei voltou; agora terá de provar que ela valerá também para o próprio governo.

https://resumosbrasil.com/stories/019fdef2-7436-297c-71a8-26c874dcd935

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