Amazônia derruba alertas, mas Cerrado e Congresso ameaçam a festa de Lula

Alertas na Amazônia caíram 36,9% e atingiram o menor nível da série do Deter. O avanço fortalece a política ambiental do governo, mas o Cerrado, Roraima e ofensivas no Congresso mantêm o sinal de alerta.
Amazônia derruba alertas, mas Cerrado e Congresso ameaçam a festa de Lula

Amazônia derruba alertas, mas Cerrado e Congresso ameaçam a festa de Lula
A Amazônia entregou ao governo Lula um resultado de forte impacto político e ambiental. Mas, por trás da queda recorde nos alertas, o Cerrado ainda sangra mais — e especialistas avisam que a melhora não está garantida.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o sistema Deter, do Inpe, identificou 2.874,38 km² sob alerta na Amazônia, recuo de 36,87% ante o ciclo anterior e menor patamar da série. No Cerrado, a redução foi bem mais modesta, de 7,8%, para 5.119,46 km² — quase o dobro da área amazônica. Roraima também destoou da tendência regional, com alta de 32,5%.

Para o governo, os números confirmam a reconstrução da fiscalização ambiental. Lula afirmou que o país assumiu o compromisso de “chegar ao desmatamento zero até 2030” e disse que pretende enviar os dados ao presidente americano, Donald Trump, em resposta às tarifas justificadas, segundo ele, pela devastação ambiental brasileira.

O Observatório do Clima também vê uma virada estrutural. Marcio Astrini disse que os últimos quatro anos provam serem falsas “as teorias de que a proteção do meio ambiente impede o país de se desenvolver”. Ao mesmo tempo, ponderou que “o desmatamento ainda não zerou” e que a floresta continua ameaçada pela agenda ambiental em tramitação no Congresso.

A leitura otimista, portanto, vem acompanhada de duas ressalvas. A primeira é metodológica: o Deter produz alertas rápidos para orientar a fiscalização, enquanto a taxa oficial é calculada posteriormente pelo Prodes. A segunda é política. Ane Alencar, do Ipam, atribui a queda à fiscalização, aos embargos remotos, à restrição de crédito e à cooperação com municípios, mas alerta que essas medidas precisam ser permanentes diante das tentativas de enfraquecê-las no Legislativo.

O retrato final é de avanço real, porém desigual. A Amazônia se aproxima da meta; o Cerrado mostra o tamanho da distância restante.

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