Senado aprova Perez, mas Lula ainda controla a porta da embaixada
Senado aprova Perez, mas Lula ainda controla a porta da embaixada
Daniel Perez venceu a batalha no Senado americano, mas ainda não ganhou passagem para Brasília. A confirmação do indicado de Donald Trump transfere ao governo Lula o próximo — e mais explosivo — movimento da crise diplomática.
O Senado aprovou Perez por 51 votos a 47, encerrando a tramitação interna nos Estados Unidos. Para assumir, porém, ele precisa do agrément, consentimento que o Brasil pode conceder, negar ou simplesmente manter sem resposta, sem prazo definido pela Convenção de Viena.
Brasília apresenta o impasse como uma questão de protocolo e soberania. O Planalto afirma que o processo é confidencial e que Washington rompeu a prática diplomática ao divulgar o nome antes de formalizar a consulta. “O Brasil segue estritamente o direito internacional”, declarou o governo, ressaltando que o pedido ainda está em análise.
Washington enxerga outra coisa: uma demora política. A revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti foi descrita pelos americanos como resposta à falta de aval para Perez; o governo Lula, em contraste, classificou a medida como hostil e acusou a Casa Branca de transformar a nomeação em instrumento de pressão.
O próprio perfil do indicado amplia a desconfiança. Aliado de Trump e Marco Rubio, filho de cubanos e crítico dos regimes de Cuba e Venezuela, Perez promete atenção ao crime organizado, à influência de potências estrangeiras e aos minerais críticos brasileiros. Também declarou que pretende “apoiar instituições democráticas brasileiras” e defender condições para “eleições livres e justas e liberdade de expressão”.
A divisão também atravessa a política americana. Democratas denunciaram a votação conjunta de dezenas de nomes como blindagem a “soldados de infantaria do MAGA”; republicanos celebraram a velocidade das confirmações. No campo oposicionista brasileiro, Paulo Figueiredo resumiu a pressão de forma direta: “Agora, a bola só está no pé do governo Lula”.
Perez está confirmado, mas não empossado. Para Washington, resta uma assinatura; para Brasília, ceder agora pode parecer submissão.
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