Empresa dos filhos de Tarcísio abre uma crise de aparência — e de explicações

A sociedade com um empresário ligado ao setor tributário e o uso do Palácio dos Bandeirantes como endereço alimentam suspeitas. Tarcísio e os empresários negam conflito de interesses.
Empresa dos filhos de Tarcísio abre uma crise de aparência — e de explicações

Empresa dos filhos de Tarcísio abre uma crise de aparência — e de explicações
Uma empresa privada registrada por dois filhos de Tarcísio de Freitas colocou lado a lado negócios familiares e o endereço mais simbólico do governo paulista. De um lado, há uma sequência de vínculos que levanta dúvidas; do outro, negativas de conflito de interesses e de atuação no mercado tributário de São Paulo.

Matheus Ferreira de Freitas, de 27 anos, e Letícia Ferreira de Freitas, de 19, abriram em fevereiro de 2024 a Ferreira de Freitas Participações Ltda., com capital de R$ 10 mil. Nos documentos, declararam como residência o Palácio dos Bandeirantes, sede e moradia oficial do governador. Matheus ficou com 51% das cotas; Letícia, com 49%.

Quatro meses depois, a empresa entrou em uma nova sociedade com a RB Par Ltda., administrada por Rodrigo Barbosa de Sousa. A BR Invest Participações Ltda. nasceu com capital de R$ 60 mil e divisão igualitária entre os sócios. Rodrigo também está ligado à RBS Corporate Finance, enquanto seu pai, Luciano Santos de Sousa, controla empresas apresentadas como especializadas em planejamento e “recuperação de créditos tributários”.

É aí que as leituras se chocam. Os questionamentos se concentram na proximidade entre a família do governador e um setor que lida com tributos — especialmente porque São Paulo administra o ICMS e concedeu mais de R$ 680 milhões em créditos outorgados a empresas de energia e proteína animal entre 2023 e 2025.

Tarcísio nega qualquer conflito e disse “repudiar a tentativa de associar as atividades privadas de seus filhos” a assuntos do governo estadual. Luciano também rejeitou irregularidades, afirmando que a All Tax trabalha exclusivamente com tecnologia e que a Lex Tax não possui clientes em São Paulo nem atende contribuintes do ICMS paulista.

As negativas respondem ao mérito, mas não eliminam o ruído político. Permanece sem explicação pública a retirada, do LinkedIn de Rodrigo, da informação de que ele integrava o conselho da Lex Tax desde 2018 — alteração feita após a divulgação da sociedade.

https://resumosbrasil.com/stories/019fdef2-755c-2cc4-7386-2db8c62c1f9e

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