Brasil turbina a Defesa, mas aposentadorias engolem a alta

O gasto militar avançou quatro vezes mais que a média global, impulsionado por novos equipamentos e pelo peso crescente dos inativos. A modernização ganha fôlego, mas abre uma disputa entre segurança, interesses políticos e responsabilidade fiscal.
Brasil turbina a Defesa, mas aposentadorias engolem a alta

Brasil turbina a Defesa, mas aposentadorias engolem a alta
O Brasil acelerou seus gastos militares sem entrar em guerra — e nem todo o dinheiro serviu para equipar as tropas. Por trás do salto estão, ao mesmo tempo, caças e submarinos novos, aposentadorias mais caras e uma controversa exceção fiscal.

Em 2025, a despesa militar chegou a US$ 23,9 bilhões, alta real de 13% e mais de quatro vezes superior à média mundial. O avanço colocou o país na contramão das Américas, onde os gastos recuaram 6,6%, embora o orçamento brasileiro ainda represente apenas 1,1% do PIB, ante 2,5% no mundo.

Uma leitura aponta para uma modernização atrasada, não para uma corrida armamentista. Fragatas da classe Tamandaré, submarinos Scorpène e caças Gripen, contratados há anos, finalmente entraram na fase de entrega. Para o professor Gunther Rudzit, o país tenta preencher carências acumuladas: “Há um fosso de reposição de itens elementares”. Nessa visão, a alta recompõe capacidades perdidas e responde a um ambiente internacional mais instável, sem representar uma guinada belicista.

A outra face do orçamento é menos estratégica. Para cada real destinado a militares na ativa, R$ 1,82 foram gastos com inativos em 2025. A folha de aposentados e pensionistas chegou a R$ 60,7 bilhões após crescer 21,4% desde 2020, mais que o dobro do ritmo registrado entre os ativos. Assim, boa parte da expansão fica comprometida antes mesmo de qualquer decisão sobre treinamento ou equipamentos.

Também pesa a política doméstica. Especialistas contrastam Bolsonaro, que priorizou despesas com pessoal, com Lula, que combina recursos para projetos estratégicos e esforços para reduzir tensões com as Forças Armadas. A nova lei que libera R$ 30 bilhões adicionais em seis anos pode impedir a paralisação do submarino nuclear e de sistemas de fronteira. Em contrapartida, permite até R$ 5 bilhões anuais fora do limite fiscal — reforçando a Defesa enquanto aumenta a pressão sobre contas públicas já deficitárias.

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