Diário de Fauci levanta suspeita, mas Kalil nega ter atacado Bolsonaro
Diário de Fauci levanta suspeita, mas Kalil nega ter atacado Bolsonaro
Registros de Anthony Fauci transformaram uma negociação por vacinas em uma controvérsia política. Roberto Kalil Filho, porém, sustenta que o diário do médico americano não reproduz o teor de suas declarações sobre Jair Bolsonaro.
De um lado, as anotações de Fauci sugerem que houve pedidos de ajuda diante da condução do antigo governo brasileiro durante a pandemia. De outro, Kalil afirma que sua participação foi estritamente técnica: auxiliar informalmente o então ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na busca por imunizantes quando o Brasil registrava até 3 mil mortes diárias por Covid-19.
O cardiologista da USP reconhece que informou Fauci sobre uma contradição central. Embora Bolsonaro fizesse manifestações públicas contra as vacinas, teria pedido a Queiroga que encontrasse meios de ampliar a imunização. Isso, segundo Kalil, não equivale a uma avaliação pessoal do então presidente.
“Eu jamais fiz qualquer consideração sobre a personalidade, o caráter ou o comportamento do então Presidente Jair Bolsonaro ao Dr. Fauci ou a qualquer outra pessoa”, declarou. Kalil acrescentou que qualquer “registro, anotação ou interpretação pessoal” nos documentos do americano não pode ser atribuído à sua autoria.
As duas versões convergem em pontos factuais: Kalil conversou com Fauci, relatou a resistência pública de Bolsonaro à vacinação e insistiu na liberação de doses excedentes dos Estados Unidos. A divergência está no significado político dessas conversas. Enquanto os registros de Fauci alimentam a leitura de que havia uma tentativa de contornar o governo brasileiro, Kalil descreve uma operação emergencial, feita a pedido do próprio ministro e orientada apenas pela necessidade de salvar vidas.
Segundo o médico, os contatos também incluíram Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, para cobrar vacinas prometidas pelo consórcio Covax. Sua linha de defesa é direta: houve pressão por imunizantes, não ataque pessoal a Bolsonaro.
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