Janja exige bloqueio do Discord, mas AGU dá à plataforma uma última chance

Após o apelo da primeira-dama pela retirada imediata do Discord, a AGU optou por cobrar correções e avaliar a resposta da empresa antes de recorrer à Justiça.
Janja exige bloqueio do Discord, mas AGU dá à plataforma uma última chance

Janja exige bloqueio do Discord, mas AGU dá à plataforma uma última chance
O governo elevou a pressão sobre o Discord, mas ainda não apertou o botão do bloqueio. Enquanto Janja Lula da Silva defende a retirada imediata da plataforma, a AGU adotou uma rota mais gradual: exigir mudanças, analisar a resposta e só então decidir se leva o caso à Justiça.

A ofensiva começou após a revelação de que uma adolescente de 13 anos teria sido aliciada e sua automutilação e morte transmitidas pela plataforma. Janja resumiu a ala mais dura do governo: “A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma”. E acrescentou que seria necessário atuar com o Judiciário para tirar do ar uma rede que classificou como “horrorosa”, sobretudo para crianças, adolescentes e mulheres.

A AGU, porém, trocou a urgência política por uma resposta escalonada. Em reunião com representantes da empresa, cobrou medidas concretas para melhorar a verificação de idade, prevenir riscos, identificar usuários vulneráveis e proteger menores. O órgão afirmou que as falhas levantadas pelo Ministério da Justiça geraram dúvidas sobre a efetividade das salvaguardas atuais.

Na prática, o Discord ganhou prazo — não divulgado — para apresentar um plano de correção, apesar do pedido de bloqueio imediato feito pela primeira-dama. Se considerar a proposta suficiente, a AGU poderá negociar um Termo de Ajustamento de Conduta, com obrigações e cronograma. Caso contrário, poderá ajuizar uma ação civil pública, inclusive com pedido de suspensão.

Do outro lado, o Discord sustenta que já combate abusos e coopera com as autoridades. A empresa declarou que “não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência” e disse colaborar com a investigação, além de reportar suspeitos à polícia brasileira.

As posições convergem no diagnóstico — crianças precisam de proteção mais robusta —, mas divergem no remédio. Janja quer a plataforma fora do ar; a AGU ainda testa a possibilidade de adequação; e o Discord argumenta que seus mecanismos e sua cooperação já produzem resultados.

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