De la Espriella assume a Colômbia entre promessas de união e ofensiva de “mão firme”
De la Espriella assume a Colômbia entre promessas de união e ofensiva de “mão firme”
A Colômbia abriu um novo ciclo político sob forte aparato militar e uma promessa ainda mais forte: restaurar a autoridade do Estado. Abelardo de la Espriella chega ao poder pregando união, mas com uma agenda de confronto direto contra o narcotráfico e os grupos armados.
O advogado direitista tomou posse em Cali, tornando-se o primeiro presidente colombiano empossado fora de Bogotá. Diante do Congresso, jurou “cumprir fielmente a Constituição e as leis da Colômbia”. A cerimônia reuniu dez presidentes e chefes de Estado, enquanto mais de 11 mil militares protegiam a cidade contra possíveis ataques. Eduardo Bolsonaro destacou nas redes sociais justamente a dimensão dessa mobilização de segurança.
A mudança de estilo em relação ao governo de Gustavo Petro é nítida. De la Espriella defende o fortalecimento das Forças Armadas, megaprisões, redução de impostos, cortes de até 40% no tamanho do Estado e a retomada de contratos de exploração de hidrocarbonetos. Ao mesmo tempo, enfrentará um Congresso dividido, no qual a esquerda permanece como principal força — um freio importante para um presidente que vende rapidez e ruptura.
No discurso inaugural, porém, o tom combinou dureza e conciliação. De la Espriella afirmou que “não há espaço para a intransigência” e prometeu governar também para quem não votou nele. Para os grupos ligados ao narcotráfico, a mensagem foi oposta: deverão “se submeter à lei ou enfrentar a força do Estado colombiano”.
A ofensiva anunciada inclui classificar organizações criminosas como terroristas, erradicar plantações de coca e rever leis consideradas brandas. Seus apoiadores receberam a posse como uma celebração da virada conservadora; Allan dos Santos publicou imagens de Medellín acompanhadas de “Viva” ao novo presidente.
O contraste definirá o começo do mandato: De la Espriella promete direitos para maiorias e minorias, mas também um Estado mais punitivo. Para transformar retórica em governo, precisará provar que “mão firme” e negociação política podem coexistir.
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