Amazônia bate recorde de queda, mas Cerrado e Congresso ameaçam avanço

Alertas de desmatamento na Amazônia recuaram 36,87%, levando Lula a celebrar a política ambiental. Especialistas, porém, alertam que o Cerrado ainda perde mais vegetação e que mudanças no Congresso podem desmontar instrumentos de fiscalização.
Amazônia bate recorde de queda, mas Cerrado e Congresso ameaçam avanço

Amazônia bate recorde de queda, mas Cerrado e Congresso ameaçam avanço
A Amazônia registrou o menor nível de alertas de desmatamento em uma década, dando ao governo Lula um trunfo ambiental e diplomático. Mas o avanço convive com focos de pressão no Cerrado, alta em Roraima e ameaças políticas à fiscalização.

Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área amazônica sob alerta caiu 36,87%, de aproximadamente 4.495 km² para 2.874,38 km² — resultado 55,6% inferior à média dos últimos dez ciclos. No Cerrado, o recuo foi bem mais modesto, de 7,8%, e a área atingida permaneceu maior: 5.119,46 km².

A comparação exige cautela. O Deter identifica rapidamente alterações na vegetação para orientar fiscais, mas não calcula a taxa oficial de desmatamento, tarefa do Prodes. Ainda assim, o sistema costuma antecipar a tendência do levantamento consolidado.

Lula tratou os números como prova de que a reconstrução da política ambiental está funcionando. “Nós assumimos um compromisso que ninguém pediu para a gente assumir: chegar ao desmatamento zero até 2030”, afirmou. “Se a gente continuar no ritmo que a gente está, com a seriedade que a gente está e colocando os recursos necessários, a gente pode atingir.”

Especialistas convergem sobre o peso da fiscalização, das restrições de crédito e dos embargos remotos. Claudio Angelo, do Observatório do Clima, chamou o resultado de comprovação de que “o Brasil aprendeu a reduzir desmatamento” e destacou que o agronegócio continuou crescendo enquanto a derrubada recuou.

O contraste, porém, impede uma comemoração sem ressalvas. Roraima teve alta de 32,5% nos alertas, enquanto o Cerrado continua sendo o bioma com maior área devastada. Marcio Astrini, do Observatório do Clima, advertiu que “a floresta ainda corre muito risco” diante da agenda ambiental em votação no Congresso.

Ane Alencar, do Ipam, também vê uma trajetória possível rumo ao desmatamento zero, mas cobra permanência das políticas. Segundo ela, propostas para reduzir unidades de conservação e limitar embargos remotos ameaçam justamente os instrumentos que ajudaram a produzir a queda.

https://resumosbrasil.com/stories/019fe03b-fe78-1a65-73f0-37b264db4f75

Write a comment