De la Espriella assume e troca a paz de Petro pela mão de ferro
De la Espriella assume e troca a paz de Petro pela mão de ferro
Abelardo de la Espriella chegou à Presidência da Colômbia prometendo encerrar a era da negociação e devolver ao Estado o monopólio da força. A guinada agrada à direita regional, mas abre uma batalha imediata com a esquerda e com as instituições criadas pelo acordo de paz.
Empossado em Cali sob a proteção de mais de 11 mil militares e policiais, o advogado de 48 anos jurou “cumprir fielmente a Constituição e as leis da Colômbia”. Sua vitória sobre Iván Cepeda encerrou o primeiro ciclo da esquerda no poder e inseriu o país na onda conservadora que avança pela América Latina.
O gesto conciliador do juramento, porém, foi rapidamente substituído pela retórica de guerra. Diante de militares, De la Espriella ordenou o “combate definitivo a todas as estruturas criminosas” e declarou esgotada a possibilidade de diálogo. Também prometeu megaprisões, fumigação de cultivos de coca, garantias jurídicas às forças de segurança e revisão da Jurisdição Especial para a Paz.
Para seus críticos, a plataforma revive a política de segurança de Álvaro Uribe — período associado tanto ao enfraquecimento das guerrilhas quanto ao trauma dos “falsos positivos”, quando civis foram mortos e apresentados como combatentes. A ruptura com a “paz total” de Gustavo Petro também reacende dúvidas sobre violações de direitos humanos e os efeitos sociais e ambientais das fumigações.
De la Espriella oferece outra leitura: afirma que governará inclusive para quem não votou nele, que “não há espaço para a intransigência” e que grupos armados deverão “se submeter à lei ou enfrentar a força do Estado colombiano”. Admiradores ecoaram esse tom nas redes. Eduardo Bolsonaro descreveu a cena em Medellín como um país “sendo libertado do comunismo”, enquanto Allan dos Santos publicou: “Viva @ABDELAESPRIELLA!”.
Do outro lado, Cepeda convocou uma “desobediência civil pacífica” e acusou o novo presidente de servir aos interesses dos Estados Unidos. A resistência será também parlamentar: a esquerda permanece como principal força de um Congresso fragmentado, capaz de frear a redução do Estado, os cortes de impostos e o congelamento de gastos prometidos pelo novo governo.
https://resumosbrasil.com/stories/019fe185-bdb9-3eac-733c-2c9e183041f4
Write a comment