PF vê cultura de risco na Voepass, mas empresa insiste que segurança era prioridade

Relatório aponta omissão de panes, pressão interna e promoção irregular do comandante antes da queda que matou 62 pessoas. Familiares cobram responsabilização, enquanto a Voepass contesta a imagem de negligência.
PF vê cultura de risco na Voepass, mas empresa insiste que segurança era prioridade

PF vê cultura de risco na Voepass, mas empresa insiste que segurança era prioridade
Dois anos depois da queda do voo 2283, duas versões colidem: para a Polícia Federal e os familiares das 62 vítimas, o desastre nasceu de uma cadeia evitável de falhas; para a Voepass, a operação seguia protocolos e padrões rigorosos de segurança.

A investigação da PF sustenta que a companhia privilegiava a disponibilidade dos aviões, mesmo diante de problemas técnicos. O presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, teria admitido conhecer uma “cultura de omissão” no registro de panes e reconhecido: “A aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota.” Ele e outros 15 profissionais foram indiciados por atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Outro foco é o comandante Danilo Romano. Segundo o relatório, ele foi promovido sem as mil horas de voo em aeronaves ATR exigidas pela própria empresa e teria sido “coaptado” pela gestão para não registrar falhas, em troca de rápida ascensão. Pilotos ouvidos pela PF descreveram um ambiente no qual profissionais recém-promovidos ficavam “pianinhos” diante da chefia, enquanto os mais experientes se sentiam seguros para recusar voos.

A Voepass rebate essa leitura. Afirma que “a segurança operacional sempre foi sua prioridade”, que cumpria os protocolos da Anac e que a tripulação era habilitada, certificada e somava mais de 5 mil horas de voo. A defesa institucional, porém, contrasta com a conclusão policial de que o avião decolou rumo a uma região com previsão de gelo apesar de falhas conhecidas no sistema de degelo.

Para os familiares, a discussão já ultrapassou o campo técnico. Adriana Ibba, mãe de Liz, de 3 anos, considera o inquérito prova de que houve crime: “Não é justo com ela, não é justo com nenhuma das vítimas.” Enquanto a empresa aguarda os próximos passos para exercer sua defesa, as famílias transformam o luto em pressão por responsabilização.

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