Lula poupa Trump e transforma Marco Rubio no rosto da crise com os EUA

Ao atacar o secretário de Estado como “bolsonarista” e “antilatino-americano”, Lula separa Trump da escalada diplomática. Críticos rebatem a genealogia citada pelo presidente e veem hostilidade ao anticomunismo.
Lula poupa Trump e transforma Marco Rubio no rosto da crise com os EUA

Lula poupa Trump e transforma Marco Rubio no rosto da crise com os EUA
Lula escolheu um alvo preciso para explicar a turbulência entre Brasil e Estados Unidos: preservou Donald Trump, mas colocou Marco Rubio no centro do confronto. A estratégia personaliza uma crise que já envolve tarifas, vistos e uma disputa pela embaixada americana em Brasília.

Durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o presidente afirmou que Trump sempre o tratou “com muito respeito”. O contraste veio em seguida: “Ele tem um cidadão que não gosta do Brasil. Que não gosta da América Latina. E que é um bolsonarista”, disse Lula sobre o secretário de Estado.

A crítica foi além da política externa. Lula classificou Rubio como “antilatino-americano” ou “latino-americano frustrado” e declarou que ele “odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”. Também sustentou que o secretário age de maneira diferente daquilo que os dois presidentes conversam, enquanto defendeu relações brasileiras com todas as potências “em posição de igualdade”.

Do lado crítico ao governo, a reação mirou tanto a acusação ideológica quanto a biografia usada por Lula. Leandro Ruschel escreveu que, para o presidente, “ser anticomunista é ser ‘anti-latino-americano’” e contestou sua genealogia: não foram o avô ou o bisavô, mas os pais de Rubio que deixaram Cuba em 1956. A reportagem também registra que Rubio é filho de imigrantes cubanos e que seu avô fugiu do regime comunista em 1962.

As duas leituras convergem apenas num ponto: Rubio encarna a ala mais dura de Washington para a América Latina. Para Lula, isso explica o descompasso entre suas conversas com Trump e as ações americanas. Para seus críticos, porém, o ataque reduz uma divergência ideológica a ressentimento pessoal — e ainda se apoia numa versão imprecisa da história familiar do secretário.

Enquanto isso, a disputa concreta avança: os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, em meio à demora no aval a Daniel Perez, indicado para comandar a missão americana no Brasil.

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