Santos promete bilhões com SAF, mas crise e estatuto ameaçam o negócio
Santos promete bilhões com SAF, mas crise e estatuto ameaçam o negócio
O Santos tenta vender uma virada bilionária enquanto ainda tropeça nas contas do presente. De um lado, a SDC Sports promete capital, gestão e recuperação esportiva; do outro, conselheiros cobram transparência e o próprio estatuto trava o controle pretendido pelo investidor.
A urgência financeira dá força ao projeto. O clube acumula dois meses de atraso em direitos de imagem, enfrenta um transfer ban da Fifa pela dívida com o Monaco referente a Jean Lucas e mantém um débito milionário com a NR Sports, da família de Neymar. Diante desse quadro, 48 conselheiros exigiram explicações detalhadas sobre dívidas, pendências com atletas e planejamento para o segundo semestre.
A resposta da diretoria foi avançar com a SDC. O termo assinado prevê a negociação de 80% da SAF, com uma proposta inicial de R$ 1 bilhão para o futebol e cerca de R$ 1 bilhão para assumir passivos. Marcelo Teixeira chamou o documento de “um passo importante”, mas ressaltou que o projeto será submetido ao Conselho Deliberativo “em total respeito à governança do Clube”.
A promessa, porém, ainda não equivale a uma venda. O term sheet não é vinculante, e o estatuto santista permite atualmente a alienação de apenas 49% das ações. Para chegar aos 80% desejados, será necessário alterar as regras internas, obter aprovação do Conselho e depois vencer uma Assembleia Geral de associados. A reunião com os representantes da SDC servirá inicialmente para apresentar origens e planos — “nada será decidido” nesse primeiro encontro.
A SDC contrapõe ao risco um discurso de reconstrução paciente. O grupo afirma que pretende investir na base, infraestrutura, marca e futebol profissional, sem transformar a história do clube em mero ativo comercial. “Não estamos interessados em extrair valor da história do Santos; estamos interessados em investir a partir dela”, disse Michael Lipman. Sua síntese expõe a aposta — e o desafio: “Títulos vêm depois da estabilidade. Eles não a precedem.”
Assim, clube e investidor concordam sobre o diagnóstico: sem dinheiro e organização, não há retomada. A diferença é que a SDC vende um futuro de estabilidade, enquanto os conselheiros ainda querem saber o tamanho exato do buraco que precisa ser fechado.
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