Falso médico vira ameaça à vida e expõe falhas em contratações no Rio
Falso médico vira ameaça à vida e expõe falhas em contratações no Rio
A prisão de um homem acusado de se passar por médico deixou de ser apenas um caso de fraude individual. Enquanto a Justiça aponta risco direto a pacientes, novos relatos ampliam o escândalo para contratações terceirizadas e exames admissionais no serviço público.
Diogo dos Santos Serpa, de 42 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após ser detido durante o atendimento domiciliar de uma criança de 10 anos com tumor cerebral, em Nova Iguaçu. Para a juíza Andressa Maria Ramos Raimundo, o uso reiterado de identidades e documentos de profissionais habilitados, somado à prescrição de medicamentos, mostra que sua liberdade representaria “risco direto à vida alheia”.
A polícia afirma que Diogo acompanhava a menina desde outubro de 2025 e teria realizado ao menos seis consultas sem formação médica. Ele usava crachá, carimbos e receituários em nome de outros profissionais. A suspeita surgiu quando a mãe da criança comparou a fotografia associada ao CRM com o homem que entrava em sua casa. Chamado pelos agentes pelo nome do médico verdadeiro, ele respondeu e acabou preso.
Se o núcleo mais grave da investigação envolve o risco imposto a uma paciente oncológica, outra frente expõe possíveis falhas de controle institucional. Uma trabalhadora de Arraial do Cabo disse ter passado por exame admissional feito por Diogo e questionou: “Não sei como uma empresa contrata uma pessoa que não é médica. Como fica a minha situação?”. Segundo a apuração, ele teria atuado em procedimentos ligados ao Instituto Rede de Apoio Social, responsável por serviços junto à prefeitura.
A Prefeitura de Arraial do Cabo sustenta, em contraste, que a contratação da empresa ocorreu “dentro da lei”, com publicação no Diário Oficial e no Portal da Transparência, e afirma que nenhum aluno foi prejudicado. O instituto e o município foram procurados sobre a verificação das credenciais e a eventual repetição dos exames; respostas específicas ainda eram aguardadas.
Assim, as versões não se anulam, mas revelam prioridades distintas: Justiça e polícia concentram-se no perigo e na possível habitualidade dos crimes; trabalhadores cobram validade e segurança; a prefeitura defende a legalidade do processo. A investigação agora precisa esclarecer como documentos falsos atravessaram essas barreiras.
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