Dia dos Pais vira novo campo de batalha entre Moraes e os Bolsonaro

Moraes manteve a suspensão das visitas ao ex-presidente, enquanto aliados denunciam crueldade. Entre os dois polos, juristas questionam por que filhos que não violaram as regras receberam a mesma punição.
Dia dos Pais vira novo campo de batalha entre Moraes e os Bolsonaro

Dia dos Pais vira novo campo de batalha entre Moraes e os Bolsonaro
Uma visita familiar transformou-se em mais um capítulo da guerra política entre o Supremo e os Bolsonaro. De um lado, a aplicação uniforme de uma sanção; do outro, a acusação de que a Justiça ultrapassou o limite da razoabilidade.

Alexandre de Moraes rejeitou o pedido para que Carlos, Flávio e Jair Renan visitassem Jair Bolsonaro no Dia dos Pais. O ministro reafirmou que, durante 30 dias, somente estão permitidas visitas “médicas, fisioterapêuticas e dos advogados”. A restrição foi imposta depois que Flávio divulgou uma carta do pai com conteúdo eleitoral — episódio entendido como tentativa de contornar a proibição de Bolsonaro usar redes sociais, inclusive por terceiros.

A família apresenta uma leitura oposta. Flávio afirmou que Moraes quer tirar “até o direito de um pai abraçar seus filhos” e advertiu: “Isso tem dia e hora para acabar!” Carlos reforçou a ofensiva nas redes com uma formulação direta: “Moraes impede que filhos vejam o pai até no dia dos pais”.

Há, porém, uma posição intermediária. O jurista Wálter Maierovitch considera correta a suspensão de Flávio, que teria violado as regras, mas sustenta que Carlos e Renan pediram uma visita familiar, não eleitoral. Para ele, Moraes “colocou todos os filhos no mesmo balaio” e ignorou a peculiaridade da data.

Já o professor Leandro Consentino avalia que a negativa era esperada e que o pedido foi apresentado para alimentar uma narrativa de vitimização. Segundo ele, a questão “se tornou um instrumento político” após o mau uso das visitas anteriores.

A oposição também contrapôs o rigor aplicado a Bolsonaro à saída temporária concedida a 1.520 presos no Distrito Federal durante o mesmo período. Eduardo Bolsonaro endossou nas redes a alegação de que o pai precisava pedir autorização ao STF para receber os próprios filhos, respondendo: “✅ Verdade!”

As versões divergem sobre abuso e proporcionalidade, mas convergem num ponto: a data familiar tornou-se munição eleitoral.

https://resumosbrasil.com/stories/019fe562-3ad8-3486-73b0-059e655bc901

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