Desfile para Lula vira batalha no TSE e ameaça chapa com Alckmin
Desfile para Lula vira batalha no TSE e ameaça chapa com Alckmin
Um desfile de Carnaval que homenageou Lula agora alimenta uma disputa capaz de atingir sua candidatura à reeleição. De um lado, o Novo vê propaganda eleitoral bancada pelo poder público; de outro, o governo rejeita qualquer participação na homenagem.
O partido protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra a chapa de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). A legenda pede a cassação dos registros e a inelegibilidade dos dois por oito anos, sob a alegação de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
A acusação gira em torno do desfile da Acadêmicos de Niterói. Segundo a ação, a escola recebeu R$ 9,6 milhões: R$ 4 milhões da Prefeitura de Niterói e o restante da Prefeitura do Rio, do governo fluminense e da Embratur. Para os advogados do Novo, a homenagem deixou de ser uma manifestação cultural espontânea e ganhou contornos explícitos de promoção eleitoral.
O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, resumiu a ofensiva em tom duro: “Recursos e estrutura do Estado foram colocados a serviço da candidatura de Lula meses antes do início oficial da campanha, justamente em uma das nossas principais manifestações culturais”. E acrescentou: “É inaceitável que fique por isso mesmo”.
Como reforço, o Novo recupera um precedente politicamente incômodo para o PT. Em 2006, quando a Leandro de Itaquera homenageou Alckmin, então adversário presidencial de Lula, o próprio partido petista acionou a Justiça e alegou uso de dinheiro público para promovê-lo.
A resposta governista contesta justamente o elo central da acusação. Em fevereiro, o governo Lula afirmou que não destinou verba pública à Acadêmicos de Niterói e que tampouco participou da escolha ou do desenvolvimento do enredo. Assim, as versões convergem sobre a existência de financiamento público à escola, mas divergem no ponto decisivo: se a homenagem foi expressão cultural ou uma operação eleitoral disfarçada. Caberá à Justiça Eleitoral estabelecer onde termina o samba e começa a campanha.
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