Brasil dá ultimato a Milei e crise com a Argentina chega ao pior nível em décadas
Brasil dá ultimato a Milei e crise com a Argentina chega ao pior nível em décadas
Brasil e Argentina continuam economicamente amarrados, mas diplomaticamente afastados. Para Brasília, a saída da crise depende de um gesto simples de Javier Milei; para Buenos Aires, o rebaixamento das relações é uma retaliação ideológica do governo Lula.
O chanceler Mauro Vieira condicionou a normalização ao fim imediato dos ataques do presidente argentino contra Lula, o Supremo Tribunal Federal e outras instituições brasileiras. Segundo ele, foram quatro manifestações em uma única semana, incluindo declarações em que Milei chamou o presidente brasileiro de “ladrão”, “corrupto” e “condenado”.
“Esse tipo de agressão deve parar imediatamente para que possamos trabalhar na relação bilateral, que é tão importante”, afirmou Vieira. O retorno do embaixador Julio Bitelli a Buenos Aires dependeria, nas palavras do ministro, de um “gesto simples”: encerrar as agressões.
A leitura argentina é oposta. Buenos Aires acusa o Brasil de agir por “razões puramente ideológicas” e de se isolar regionalmente. Milei também rejeita responsabilidade pela escalada: trata seus ataques como palavras espontâneas e insiste que suas críticas são dirigidas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, não aos brasileiros.
Vieira tenta deslocar o embate do terreno ideológico para o institucional. O chanceler sustenta que a crise não decorre das diferenças entre esquerda e direita, mas da falta de respeito entre Estados — sobretudo porque os ataques alcançaram Poderes da República e o STF. “Educação e respeito são fundamentais; sem eles, não pode haver diálogo”, resumiu.
As duas partes reconhecem, ainda que por caminhos distintos, o peso estratégico da relação. O Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina, e os países mantêm programas bilaterais históricos. Essa interdependência, porém, não bastou para evitar a crise mais grave em décadas: Brasília retirou seu embaixador de Buenos Aires e passou a tratar com a representação argentina por meio de um encarregado de negócios. O comércio resiste; a política, por enquanto, não.
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