Vídeo contra rival rende multa e acirra guerra da direita paulista pelo Senado
Vídeo contra rival rende multa e acirra guerra da direita paulista pelo Senado
A disputa pelo eleitor conservador de São Paulo já chegou à Justiça antes mesmo da campanha de 2026. De um lado, Ricardo Salles reivindica o direito à crítica e à sátira; do outro, o TRE-SP vê manipulação digital e propaganda paga para desqualificar um rival.
O Tribunal Regional Eleitoral condenou Salles (Novo-SP) a pagar R$ 10 mil por propaganda eleitoral antecipada e impulsionamento irregular de conteúdo negativo contra André do Prado (PL-SP), presidente da Assembleia Legislativa paulista. Os dois disputam espaço para concorrer ao Senado, em uma briga que também envolve o apoio do bolsonarismo. A decisão, tomada pela juíza Claudia Fonseca Fanucchi, ainda pode ser contestada.
No vídeo, Salles questionava a legitimidade de Prado para representar a direita e o associava a João Doria e a Valdemar Costa Neto. Uma das imagens mostrava o presidente da Alesp como uma marionete. Para a magistrada, a peça foi além da crítica política, combinando desqualificação do adversário, publicidade paga e imagens manipuladas sem a advertência exigida. “A sátira, a caricatura e a linguagem metafórica integram o espaço constitucionalmente protegido da liberdade de expressão”, escreveu Fanucchi, ressalvando que essa proteção não elimina o dever de transparência sobre conteúdo sintético.
A defesa oferece a leitura oposta: sustenta que as imagens eram charges claramente artificiais, baseadas em fatos públicos, e que não houve pedido explícito para deixar de votar em Prado. Também afirma que o impulsionamento buscava promover a pré-candidatura de Salles. O tribunal, porém, entendeu que a autopromoção ocorria sobretudo pelo contraste com a desqualificação do adversário — prática vedada quando ampliada por pagamento.
Politicamente, ambos miram o mesmo eleitorado, mas partem de posições distintas. Prado conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas; Salles, ex-ministro de Jair Bolsonaro, tenta se apresentar como opção mais fiel à direita. O vídeo saiu do ar em 17 de julho, mas a batalha por espaço — e pela bênção conservadora — está longe de terminar.
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