Defesa das urnas por Nunes Marques expõe racha político às vésperas de 2026
Defesa das urnas por Nunes Marques expõe racha político às vésperas de 2026
A defesa das urnas eletrônicas ganhou tom de alerta: para Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, atacar a credibilidade do sistema não apenas contesta a tecnologia — também ameaça afastar o eleitor da disputa democrática.
No encerramento da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, em Brasília, Nunes Marques resumiu a posição institucional do TSE: “Desacreditar o sistema de votação é desconvidar o eleitor a comparecer às urnas”. O tribunal, disse, pretende concentrar sua resposta no reforço da segurança cibernética e na divulgação de informações à sociedade, em vez de rebater individualmente cada ataque.
A cobertura pró-governo apresentou a fala como continuidade de uma defesa técnica construída ao longo de três décadas, com aperfeiçoamento tecnológico, fiscalização e auditorias. Também destacou o contraste com Flávio Bolsonaro, acusado de divulgar informações falsas sobre as urnas. Nunes Marques afirmou esperar que, após a abertura dos equipamentos ao público, “a desinformação tenha saído menor, desapequenada”.
Na cobertura de oposição, porém, a mesma declaração foi interpretada sobretudo como resultado da pressão de ministros do Supremo para que a Justiça Eleitoral abandonasse uma postura reativa. Nessa leitura, Nunes Marques acaba isolando Flávio, que prometeu aceitar o resultado de 2026, mas continua cobrando “mais camadas de transparência” e segurança — combinação descrita como reconhecimento formal acompanhado pela semeadura de dúvidas.
Os números ajudam a explicar a disputa. Pesquisa Meio/Ideia citada pela imprensa mostra que 35,3% confiam muito nas urnas, enquanto 24,3% não confiam. Entre eleitores de Lula, a confiança elevada chega a 56,5%; entre apoiadores de Flávio, cai para 13,6%.
Contra essa fratura, o TSE aposta em acordos com plataformas para conter deepfakes e no novo conselho de Integridade Informacional. Para Nunes Marques, as empresas “concordaram com nosso plano” e ofereceram ferramentas para minimizar incidentes. A tecnologia é a mesma; o embate, cada vez mais, é sobre quem consegue definir a confiança nela.
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