Habib’s ganha 60 dias para evitar que dívida de R$ 300 milhões engula a rede

Enquanto a empresa garante operação normal e aposta em lojas menores, consumidores e especialistas apontam perda de qualidade, inflação e um modelo caro demais para a era do delivery.
Habib’s ganha 60 dias para evitar que dívida de R$ 300 milhões engula a rede

Habib’s ganha 60 dias para evitar que dívida de R$ 300 milhões engula a rede
O Habib’s ainda serve esfihas, mas agora corre contra o relógio. A rede que fez fama com preços populares precisa convencer credores de que seu modelo pode sobreviver a uma dívida superior a R$ 300 milhões — e a um consumidor que já não compra como antes.

A Justiça de São Paulo suspendeu por 60 dias cobranças e execuções contra o Grupo Gênios, controlador de Habib’s e Ragazzo. A proteção temporária evita bloqueios de bens e abre espaço para a renegociação do passivo. A companhia tenta separar a crise financeira da rotina das unidades: “Todas as lojas do grupo continuam funcionando normalmente em todo o país, mantendo o padrão de qualidade e atendimento aos nossos clientes”.

Esse discurso de normalidade, porém, contrasta com as pressões sobre o negócio. A pandemia esvaziou salões amplos; os aplicativos fortaleceram concorrentes menores; e a inflação corroeu a fórmula do preço baixo. A esfiha que custava R$ 0,99 há uma década chegou a R$ 4,99. Ao mesmo tempo, famílias das classes B, C e D — público central da marca — reduziram gastos fora de casa.

Há também uma disputa sobre qualidade. Enquanto o grupo diz preservar seu padrão, consumidores relatam produtos inconsistentes e experiências imprevisíveis. O fundador Alberto Saraiva reconheceu outra fragilidade: “Eu era solto nas despesas”. Agora, a ordem é cortar o “excesso de gordura” e recuperar eficiência.

De um lado, o cenário sugere desgaste estrutural: dívida elevada, margens apertadas e perda de confiança. Do outro, a empresa ainda carrega uma marca nacional, escala e quase quatro décadas de mercado. Sua reação passa por quiosques e lojas express, estruturas menores e mais ajustadas ao delivery e ao consumo rápido.

Os dois diagnósticos convergem num ponto: voltar ao passado não é opção. A diferença é que, para a empresa, adaptação pode significar retomada; para clientes e credores, ela ainda precisa ser provada.

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