Congresso se emancipa e base de Lula derrete em ano eleitoral

A aprovação das pautas do Planalto caiu para cerca de 38% nas duas Casas. A oposição aponta falha de articulação; especialistas destacam emendas obrigatórias, fortalecimento do Legislativo e autonomia parlamentar.
Congresso se emancipa e base de Lula derrete em ano eleitoral

Congresso se emancipa e base de Lula derrete em ano eleitoral
O governo Lula entrou em 2026 com menos controle sobre o Congresso justamente quando mais precisava de disciplina. Para a oposição, trata-se de uma base em debandada; para analistas, o problema revela uma mudança estrutural no equilíbrio entre Executivo e Legislativo.

Levantamento da consultoria Ética Inteligência Política mostra que a aprovação das pautas governistas no Senado recuou de 75% em 2025 para 38,5% no primeiro semestre de 2026. Na Câmara, caiu de 58% para 38%. A fidelidade de PSD, União Brasil e Podemos — partidos com espaço no governo — teria despencado de 80% para 40%.

Os vetos presidenciais expõem o mesmo contraste. Dos 87 analisados desde 2023, 43 foram derrubados, uma taxa de 49%. Juan Carlos Arruda, diretor do Ranking dos Políticos, vê “não apenas falhas de articulação do Planalto, mas uma transformação mais profunda na relação entre os Poderes”. Já o cientista político Marcos Quadros relativiza a ideia de traição: “A infidelidade partidária, por exemplo, faz parte do jogo político”.

As duas leituras partem dos mesmos números, mas chegam a ênfases distintas. A oposição descreve um “cerco legislativo” e um governo incapaz de manter aliados. A explicação institucional aponta para as emendas impositivas: com recursos de execução obrigatória, deputados e senadores dependeriam menos da liberação de verbas pelo Executivo e, portanto, teriam maior liberdade para contrariar o Planalto. A expansão do PL de 87 para 97 deputados também estreitou a margem governista.

O resultado é um Congresso mais autônomo e um Executivo mais defensivo. Para Lula, o desafio já não é apenas negociar cada votação, mas governar diante de partidos que ocupam ministérios sem oferecer fidelidade equivalente no plenário.

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