Anvisa caça sais clandestinos enquanto falta insumo para fluoretar a água
Anvisa caça sais clandestinos enquanto falta insumo para fluoretar a água
A saúde pública brasileira enfrenta duas pressões opostas: de um lado, produtos clandestinos prometendo benefícios sem comprovação; de outro, um insumo regular e obrigatório que pode desaparecer dos estoques. Entre apreensões e pedidos de flexibilização, o Estado precisa conter riscos sem interromper serviços essenciais.
Na frente do comércio eletrônico, a Anvisa determinou a apreensão de seis tipos de sal ligados à marca Stelas Company: Quanqton Ocean Salts, Sal Integral Quanqton, Sal Perfeito, New Quantic, Endurance e Sal Marinho Integral. A agência também proibiu fabricação, importação, distribuição, propaganda e uso, afirmando que os produtos eram vendidos por estabelecimentos “não licenciados e não localizados (clandestinos)”. Os anúncios prometiam evitar cãibras e fadiga, acelerar a recuperação e melhorar a hidratação celular, enquanto rótulos destacavam expressões como “100% Natural”.
O movimento é de repressão preventiva: sem fabricante identificado, licença sanitária ou publicidade regular, a ordem é retirar os itens de circulação. Já no saneamento, o dilema é inverso. Empresas tentam preservar a fluoretação da água, mas alertam para uma possível escassez de ácido fluossilícico depois que a Mosaic interrompeu o fornecimento. A alta do enxofre, agravada pelos conflitos no Oriente Médio e pelo fechamento do estreito de Hormuz, tornou a busca por fornecedores estrangeiros mais difícil.
“A tendência é que, com o passar do tempo, uma falha numa entrega dessa pode gerar, de uma forma ou de outra, a suspensão da aplicação do produto na produção da água”, disse Munir Abud, presidente da Aesbe. A entidade procura alternativas de importação, enquanto a Abcon pediu a suspensão temporária da fluoretação. O Ministério da Saúde ressalta que a medida é exigida por lei e pode reduzir em cerca de 50% a prevalência de cáries.
Os casos convergem na defesa da saúde coletiva, mas partem de extremos distintos: no sal, sobra propaganda e falta controle; na água, existe controle, mas pode faltar produto.
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