Moro foge do debate e vira o principal alvo mesmo fora do estúdio

Líder nas pesquisas, Sergio Moro alegou uma ofensiva combinada para justificar a ausência. Requião Filho e Sandro Alex responderam com acusações de covardia antes de duelarem sobre o legado do governo paranaense.
Moro foge do debate e vira o principal alvo mesmo fora do estúdio

Moro foge do debate e vira o principal alvo mesmo fora do estúdio
Sergio Moro não apareceu no primeiro debate pelo governo do Paraná, mas dominou a noite. Enquanto o líder das pesquisas denunciava uma suposta emboscada, seus adversários transformavam o púlpito vazio no símbolo político do confronto.

Poucas horas antes do programa da Band, Moro anunciou que não participaria. O candidato do PL acusou PT e PSD de articularem ataques contra sua candidatura e classificou a disputa como uma “rinha de galo”. “Eu não vou ao debate, me recuso a entrar neste jogo combinado”, declarou, sem apresentar provas do suposto acordo.

A versão de Moro é a de autopreservação: em vez de propostas, haveria um ataque coordenado contra quem lidera. A leitura dos rivais foi oposta — para eles, a desistência revelou medo do confronto, sobretudo porque representantes da campanha haviam participado das reuniões preparatórias e aceitado as regras.

Requião Filho (PDT) explorou essa contradição desde a abertura. “Palavra não faz curva. Palavra dada, palavra cumprida”, afirmou. Depois, endureceu o ataque: “Eu tinha uma pergunta para o Sergio, o fujão, mas ele não está aqui.” Sandro Alex (PSD) seguiu a mesma linha, embora dispute com Requião campos políticos distintos: “Para ser governador do Paraná, não pode ser covarde. E eu não sou covarde.”

Sem Moro, porém, as semelhanças acabaram aí. Requião questionou as privatizações, o preço da energia e as escolas cívico-militares do governo Ratinho Junior. Sandro Alex defendeu esse legado, prometeu investimentos no setor energético e apresentou-se como candidato da direita. “O Paraná precisa de continuidade, o Brasil precisa de mudança”, resumiu o representante do PSD, enquanto Requião lembrou que o partido mantém ministros no governo Lula.

O resultado foi um debate de dois níveis: no palco, governo e oposição confrontaram projetos; fora dele, Moro apostou que recusar o embate seria menos custoso do que enfrentá-lo. Ainda assim, ausente, acabou convertido no personagem central.

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