Desenrola enfim sai do papel, mas adesão dos bancos ainda é o grande teste

Após corrigir regras que desagradaram a BB, Caixa e bancos privados, o governo inicia a renegociação de dívidas de trabalhadores informais. Juros menores atraem clientes, mas cada instituição decidirá se participa.
Desenrola enfim sai do papel, mas adesão dos bancos ainda é o grande teste

Desenrola enfim sai do papel, mas adesão dos bancos ainda é o grande teste
O Desenrola Adimplentes finalmente começou a operar, mas ainda precisa vencer o obstáculo que atrasou sua estreia: convencer os bancos de que vale a pena participar. Para o governo, a iniciativa preenche uma lacuna social; para o setor financeiro, o novo desenho apenas tornou o risco mais administrável.

Voltado a trabalhadores informais, o programa permite renegociar até R$ 15 mil em dívidas de crédito pessoal sem garantia, com juros limitados a 1,99% ao mês — bem abaixo da média de cerca de 7%. O cliente deve ter quitado pelo menos quatro parcelas e estar em dia ou com atraso inferior a 90 dias. Na visão do Executivo, esse público permanecia desassistido, enquanto trabalhadores formais, aposentados e servidores dispõem do consignado e inadimplentes mais antigos já foram atendidos pelo Desenrola 2.0.

A promessa, porém, esbarrou na engenharia financeira. Pelo modelo original, Caixa e Banco do Brasil teriam de empregar capital próprio em operações originadas por outras instituições. O formato provocou resistência — especialmente no BB, empresa de capital aberto — e levantou dúvidas de governança. Uma medida provisória passou a permitir que qualquer banco combine recursos próprios com até R$ 3 bilhões disponibilizados pela União.

O governo afirma que a mudança pretende “gerar os incentivos adequados, ao mesmo tempo em que preserva a eficiência no uso dos recursos públicos”. Já o Banco do Brasil adotou tom cauteloso, dizendo que “mantém diálogo permanente com o Ministério da Fazenda sobre a operacionalização do programa”; a Caixa não se manifestou.

Entre os bancos privados, a rejeição inicial deu lugar a um otimismo comedido. A Febraban avaliou que as condições “evoluíram positivamente”, ampliando a previsibilidade e a “viabilidade de implementação”. A diferença central permanece: enquanto o governo apresenta o programa como resposta urgente aos juros altos, as instituições enxergam uma operação cuja atratividade dependerá dos custos, das garantias e do perfil dos clientes. A adesão continuará sendo decisão individual de cada banco.

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