Tragédia une a Colômbia, mas disputa política molda a narrativa
Tragédia une a Colômbia, mas disputa política molda a narrativa
A terra tremeu por segundos; o balanço da tragédia continuará mudando por dias. Na Colômbia, o terremoto de magnitude 7,4 abriu uma corrida contra o tempo — e diferentes leituras políticas sobre a resposta ao desastre.
Os relatos convergem no essencial: o epicentro ficou perto de San José del Palmar, em Chocó, e cidades como Pereira, Cali, Manizales e Quibdó sofreram os impactos mais graves. Uma apuração já contabilizava ao menos 71 mortos, cerca de 20 edifícios desabados em Cali e seis aeroportos com operações suspensas. Outra, publicada antes, registrava 21 mortes e observava divergências entre centros sismológicos sobre magnitude e profundidade. A diferença revela um balanço ainda em rápida atualização, não versões incompatíveis da catástrofe.
A principal distinção está no enquadramento. Veículos identificados com a oposição ressaltaram a estreia dramática do conservador Abelardo de la Espriella e sua decisão de assumir pessoalmente a coordenação. “Vocês não estão sozinhos. O Estado está presente e agindo”, declarou o presidente. Já a cobertura pró-governo enfatizou a estrutura institucional: cancelamento da agenda, convocação do comitê unificado e liderança da agência nacional de desastres. Espriella prometeu fazer “tudo o que for necessário” para proteger a população e reconstruir as regiões afetadas.
A destruição também ganhou um símbolo: uma torre da Catedral de Manizales desabou parcialmente. A arquidiocese pediu “serenidade, solidariedade e esperança” diante do medo de novas réplicas.
Do Brasil, Lula ofereceu apoio e o Itamaraty informou não haver brasileiros identificados entre as vítimas até então. Eduardo Bolsonaro, por sua vez, destacou no X que o terremoto chegou à magnitude 7,4 em Cali, compartilhando imagens de “danos enormes” em várias cidades.
O tremor atravessou fronteiras e foi percebido até em Manaus, onde prédios foram evacuados após lustres, persianas e elevadores balançarem; não houve registro local de danos estruturais. Entre discursos de comando e gestos de solidariedade, a prioridade comum permanece sob os escombros: encontrar sobreviventes.
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