Apps ganham sinal verde para remédios, mas venda ainda esbarra na Anvisa

A agência retirou restrições contra grandes plataformas digitais, mas deixou claro que a operação ainda depende de regras específicas. Empresas celebram a abertura, enquanto o controle sanitário continua no centro da disputa.
Apps ganham sinal verde para remédios, mas venda ainda esbarra na Anvisa

Apps ganham sinal verde para remédios, mas venda ainda esbarra na Anvisa
A Anvisa abriu a porta para a entrada dos grandes aplicativos no mercado de medicamentos — mas ainda não entregou a chave. As antigas proibições caíram; a autorização prática para vender, porém, continua dependente de regulamentação.

As resoluções alcançam iFood, Rappi, Mercado Livre, Americanas e Submarino, além da Shopee, contemplada anteriormente. A mudança acompanha a Lei nº 15.357/2026, que permite a farmácias e drogarias licenciadas contratar plataformas digitais para logística e entrega, desde que cumpram as normas sanitárias.

A leitura mais favorável destaca modernização, concorrência e conveniência. O Mercado Livre afirmou que a decisão “privilegia a livre concorrência e representa um avanço para a modernização do setor de saúde”. A Shopee também tratou a medida como avanço, mas ressaltou que apenas estabelecimentos licenciados poderão vender medicamentos. Já a Americanas informou que atualmente não comercializa esses produtos.

Do outro lado está a cautela regulatória. A Anvisa insiste que revogar as medidas preventivas não significa liberar imediatamente o comércio de remédios nos aplicativos. Segundo a agência, “a aplicação do § 6º do artigo 6º da Lei 5.991/1973 está condicionada à regulamentação que ainda será editada”.

As duas perspectivas convergem num ponto: os aplicativos poderão integrar a cadeia, mas não substituirão as farmácias. As plataformas continuam obrigadas a cumprir integralmente as regras sanitárias, e a operação só poderá ocorrer por meio de farmácias e drogarias devidamente licenciadas.

Na prática, o governo retirou um bloqueio expresso sem concluir o novo modelo. Para as empresas, é um mercado que começa a se abrir; para a vigilância sanitária, é uma transição que ainda precisa de limites claros. Até a publicação das normas específicas, o anúncio vale mais como sinal verde político e jurídico do que como largada comercial.

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