Três confederações desafiam Infantino e avisam: a Fifa não tem dono

Uefa, Concacaf e AFC acusam Infantino de romper a confiança do futebol, enquanto Fifa, CAF e Conmebol denunciam uma ofensiva para enfraquecer sua presidência.
Três confederações desafiam Infantino e avisam: a Fifa não tem dono

Três confederações desafiam Infantino e avisam: a Fifa não tem dono
A crise que cerca Gianni Infantino deixou de ser uma disputa de bastidores e virou uma batalha aberta pelo controle político da Fifa. De um lado, três confederações exigem transparência; do outro, a entidade sustenta que seu presidente é alvo de uma ofensiva coordenada.

Uefa, Concacaf e AFC endureceram o tom em carta conjunta: “A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — o poder para si próprio”. Para o trio, Infantino colocou sua autoridade acima das instituições e rompeu a confiança de quem deveria participar das decisões. “Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência”, afirma o documento.

A Fifa oferece uma leitura oposta. Em vez de uma rebelião legítima por governança, vê “um esforço contínuo e orquestrado por parte de alguns para minar a entidade e seu presidente”. Infantino conserva o apoio da CAF, da Conmebol e da OFC — ausentes da carta —, expondo uma divisão continental num momento em que busca a maioria dos 211 votos para renovar o mandato.

O ponto de ruptura foi o projeto, depois abandonado, de abrir a Fifa a investidores privados. A direção da entidade declarou “total apoio” ao presidente e pediu desculpas por falhas no processo, alegando que Conselho e federações não deveriam ter se sentido excluídos. Os críticos rejeitam essa explicação: não teria sido uma simples falha de comunicação, mas “uma falha de julgamento” e uma “ruptura fundamental da confiança”.

Há um raro ponto de convergência: ambos os campos reconhecem que erros ocorreram. A diferença é decisiva. Para a Fifa, eles podem ser corrigidos com desculpas; para Uefa, Concacaf e AFC, revelam um problema de liderança. Com a Uefa mantendo no horizonte a ameaça de boicote às Copas, a disputa agora mede não apenas a força de Infantino, mas até onde seus aliados estão dispostos a defendê-lo.

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