Milei tenta ajudar Flávio, mas pode acabar empurrando votos para Lula

A Quaest mostra que o apoio do presidente argentino beneficia mais Lula do que Flávio Bolsonaro. O efeito, porém, muda entre grupos e ainda é limitado pelo desconhecimento do endosso.
Milei tenta ajudar Flávio, mas pode acabar empurrando votos para Lula

Milei tenta ajudar Flávio, mas pode acabar empurrando votos para Lula
Javier Milei entrou na eleição brasileira para fortalecer Flávio Bolsonaro, mas o gesto pode produzir o efeito inverso. A nova pesquisa Genial/Quaest sugere que a rejeição ao argentino pesa mais do que sua capacidade de transferir votos.

Os números são os mesmos; o enquadramento muda. Na leitura da oposição, o dado central é que 34% dos entrevistados dizem que o endosso de Milei aumenta a possibilidade de votar em Lula, contra 27% que se sentem mais inclinados a escolher Flávio. Outros 17% migrariam para um terceiro candidato, enquanto 16% afirmam que o apoio não altera sua preferência.

Esse possível efeito reverso ganha força após o discurso de Milei na convenção do PL, em 25 de julho. Ao apoiar Flávio, o argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo careca”. A retórica mobiliza a base bolsonarista, mas também oferece ao lulismo um antagonista externo capaz de reagrupar eleitores.

A cobertura pró-governo vai além e apresenta o apoio como potencialmente “tóxico” para Flávio, associando o resultado às ofensas contra Lula e à crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires. Embora mais contundente, essa interpretação parte da mesma diferença de sete pontos registrada pela pesquisa — e não prova, por si só, uma transferência efetiva de votos.

Há duas ressalvas importantes. Primeiro, 55% dos entrevistados nem sequer sabiam que Milei havia declarado apoio ao senador. Segundo, entre quem não votou, anulou ou votou em branco no segundo turno de 2022, o principal efeito seria favorecer uma terceira candidatura: 35% apontaram essa possibilidade, ante 22% para Lula e 15% para Flávio.

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. Em resumo: Milei pode energizar Flávio, mas, até agora, parece provocar ainda mais seus adversários.

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