Trump promete “liberdade” nas vacinas, mas médicos veem ideologia sem ciência
Trump promete “liberdade” nas vacinas, mas médicos veem ideologia sem ciência
Donald Trump apresenta a redução das recomendações de vacinas infantis como uma correção de excessos e uma vitória para a escolha dos pais. Médicos e juristas enxergam o oposto: uma intervenção ideológica em políticas de saúde sustentadas por décadas de evidências.
A ordem executiva propõe espaçar aplicações, separar a vacina contra sarampo, rubéola e caxumba e adiar para a adolescência a imunização contra hepatite B. Ao defendê-la, Trump comparou o calendário atual ao de gerações anteriores: “Há décadas, as crianças recebiam apenas uma pequena fração das vacinas exigidas hoje”. O presidente também voltou a sugerir uma relação entre imunizantes e autismo, embora tenha reconhecido não saber a causa da condição e não existam evidências científicas dessa associação.
Na visão do governo, o novo desenho reduziria a quantidade de vacinas recomendadas e ampliaria a “máxima liberdade de escolha dos pais”. A ordem, porém, é mais política do que impositiva: cabe aos estados, e não à Casa Branca, definir exigências de vacinação para o ingresso em escolas. Além disso, especialistas estimam que desenvolver versões separadas e aprovadas da tríplice viral poderia levar mais de uma década.
A oposição médica e jurídica contesta tanto o conteúdo quanto o caminho escolhido. O calendário pretendido cobriria 11 doenças, ante as 17 recomendadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Para Michael Osterholm, da Universidade de Minnesota, “não há ciência por trás dessas recomendações. É tudo uma questão de ideologia”. Já a jurista Dorit Reiss afirma que Trump não pode contornar legalmente o comitê de especialistas autorizado pelo Congresso a formular recomendações.
Os dois lados concordam apenas que o sistema atual será revisto. Divergem radicalmente sobre o motivo: Trump fala em excesso de imunização; pediatras defendem que a segurança das vacinas combinadas é respaldada por décadas de dados. Com uma tentativa anterior já suspensa como “arbitrária e caprichosa”, a nova ofensiva deverá enfrentar não apenas resistência científica, mas outra batalha judicial.
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