Terremoto força trégua política e impõe teste brutal ao novo governo colombiano
Terremoto força trégua política e impõe teste brutal ao novo governo colombiano
O terremoto que devastou o oeste da Colômbia suspendeu, ao menos por algumas horas, a guerra política do país. Sob os escombros, porém, cresce também a pressão sobre um governo empossado há apenas três dias.
O tremor de magnitude 7,4 deixou ao menos 111 mortos, 87 feridos e mais de 1,5 mil residências afetadas. Sessenta e um edifícios desabaram, e o presidente Abelardo de la Espriella decretou desastre nacional, prometendo que seu governo “jamais deixará seus cidadãos desamparados”. A calamidade permite a liberação emergencial de recursos, enquanto equipes de resgate correm contra o tempo em cidades como Cali, Pereira e Manizales.
Na cobertura pró-governo, o foco recai sobre comando e coordenação. De la Espriella cancelou a agenda, convocou um posto unificado e afirmou que lideraria pessoalmente a resposta. “Vocês não estão sozinhos”, declarou aos colombianos. Bogotá enviou 100 socorristas ao interior, enquanto países como Brasil, México, Equador e Estados Unidos ofereceram assistência.
A oposição política, por sua vez, evitou o confronto aberto. O Pacto Histórico, liderado pelo ex-presidente Gustavo Petro, lançou uma campanha de doações e declarou: “Não é momento de mesquinharias, cálculos ou confrontos. É momento de união, solidariedade e fortaleza”. Ainda assim, comentários de Petro foram interpretados nas redes como uma provocação ao novo presidente, expondo como a polarização permanece logo abaixo da superfície.
Já a cobertura oposicionista enfatizou a escala visual da catástrofe: aeroportos danificados, prédios destruídos e bombeiros vasculhando ruínas. Em Manizales, parte da torre da catedral mais alta do país desabou; em Cali, moradores ficaram presos sob estruturas. Eduardo Bolsonaro também repercutiu imagens dos “danos enormes” provocados pelo abalo.
No exterior, Washington ofereceu apoio direto. Marco Rubio disse que o governo Trump está “pronto para apoiar o povo colombiano” e a gestão de De la Espriella. Governo e oposição concordam sobre a urgência; divergem, sobretudo, sobre a imagem que ficará quando a poeira baixar.
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