JBS aposta no herdeiro e recoloca os Batista no comando global

Wesley Batista Filho assumirá a JBS em 2027, combinando experiência operacional com uma sucessão familiar carregada de simbolismo. Tomazoni deixa uma empresa maior, internacionalizada e novamente sob liderança da família controladora.
JBS aposta no herdeiro e recoloca os Batista no comando global

JBS aposta no herdeiro e recoloca os Batista no comando global
A JBS vende a troca no comando como continuidade, mas o sobrenome do sucessor transforma a decisão em algo maior: quase uma década depois da crise de 2017, a família Batista voltará a ocupar o principal cargo executivo do grupo.

Wesley Batista Filho assumirá a presidência global em janeiro de 2027, após uma transição de cinco meses com Gilberto Tomazoni. Aos 34 anos — terá 35 na posse —, ele representa a terceira geração da família fundadora. A companhia enfatiza sua experiência: são 15 anos de carreira em operações no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Paraguai. “Sinto-me honrado por assumir essa responsabilidade e dar continuidade ao extraordinário trabalho realizado por Tomazoni durante sua gestão como CEO”, afirmou.

De um lado, portanto, há uma sucessão preparada. Batista Filho trabalha na JBS desde os 19 anos, passou por unidades operacionais e hoje lidera a JBS USA, plataforma responsável por mais da metade da receita mundial do grupo. Não é um herdeiro estreando na empresa, mas tampouco é possível separar a promoção do controle familiar.

Do outro lado está o legado de Tomazoni, executivo de fora da família que assumiu em 2018, após a turbulência política, jurídica e de governança que afastou os irmãos Batista da administração. Em sua gestão, a receita anual avançou de US$ 49,7 bilhões para US$ 86,2 bilhões, a JBS diversificou negócios e concluiu a listagem em Nova York. “A JBS está mais forte, mais diversificada e mais preparada para o futuro do que em qualquer outro momento de sua história”, declarou.

Tomazoni continuará próximo, como vice-presidente do conselho e assessor sênior. A mudança também coincide com uma ofensiva na Ásia: a JBS fechou acordo de US$ 2,5 bilhões com o Danantara Investment Management, da Indonésia, envolvendo 25% das operações na Austrália e na Nova Zelândia.

A mensagem corporativa é de estabilidade. O contraponto inevitável é de governança: a JBS chega maior e mais global ao novo capítulo, mas volta a entregar suas rédeas executivas à família controladora.

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