CBF declara guerra à cera com punições que podem virar jogos
CBF declara guerra à cera com punições que podem virar jogos
O futebol brasileiro quer correr contra o próprio relógio. CBF e clubes apostam em limites rígidos e punições imediatas para acelerar as partidas — um pacote que promete mais jogo, mas também exigirá precisão redobrada da arbitragem.
O diagnóstico é contundente: a Série A registra apenas 52min54s de bola rolando por partida, abaixo das cinco principais ligas europeias e da MLS. Mesmo com 12min41s de acréscimos, o Brasileirão perde, em média, 17,41 minutos somente com faltas — resultado da combinação entre 28,6 infrações por jogo e reinícios demorados.
A resposta troca tolerância por contagem regressiva. Laterais e tiros de meta deverão ser cobrados em cinco segundos; jogadores substituídos terão dez segundos para deixar o campo; e atletas atendidos permanecerão um minuto fora. Se houver demora, as sanções poderão incluir inversão do lateral, escanteio ao adversário ou espera obrigatória para a entrada do substituto.
O pacote combina regras testadas na Copa do Mundo com experiências inéditas. Quando o goleiro receber atendimento, um jogador de linha de sua equipe cumprirá um minuto fora. Já o protocolo “somente o capitão” tenta desmontar as tradicionais rodas de pressão: após o sinal do árbitro, qualquer outro atleta que se aproximar poderá levar amarelo.
Há ainda medidas que vão além da cera. O segundo cartão amarelo que provocar expulsão poderá ser revisado pelo VAR, enquanto cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão — a chamada “Lei Vini Jr.” — será passível de vermelho. A revisão de escanteios marcados incorretamente ficou para 2027.
Para a CBF, os números justificam a intervenção. “O estudo mostra que existe espaço para recuperar mais de seis minutos de bola rolando por partida”, afirmou o diretor de arbitragem Netto Góes. Ele ponderou, porém, que o resultado não dependerá apenas dos árbitros: “também depende da participação dos clubes e dos jogadores”.
A promessa é de fluidez; o contraponto está na execução. O cronômetro pode reduzir encenações e reinícios arrastados, mas o próprio levantamento indica que o problema central continua sendo mais profundo: faltas demais, discussões demais e futebol de menos.
https://resumosbrasil.com/stories/019fee65-8cc7-21ec-708c-0048c99e834b
Write a comment